Cine Biblioteca exibe nesta quarta-feira o longa ‘A Favorita’

Filme que deu o Oscar de melhor atriz a Olivia Colman será exibido gratuitamente nesta quarta-feira na Biblioteca Municipal


Menos experimental, mais político. Esse é o cineasta grego Yorgos Lanthimos em “A Favorita”, filme que a Biblioteca Municipal de Americana exibe nesta quarta-feira, a partir das 14h, pelo Cine Biblioteca, com entrada gratuita.

Situado na Inglaterra do século 18, o enredo expõe um cenário no qual a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) exerce sua influência como conselheira e amante secreta da Rainha Ana (Olivia Colman). Sua posição é ameaçada pela chegada de Abigail (Emma Stone), nova criada da Rainha.

Foto: Divulgação
Em “A Favorita”, o diretor grego Yorgos Lanthimos sai da seara dos “filmes de arte” para uma concepção mais comercial

Antes restrito à atmosfera cult de Cannes (foi premiado lá com “Dente Canino” e vem sendo presença frequente) e agora mais agradável aos paladares do Oscar, Lanthimos viu “A Favorita” concorrer a dez estatuetas na aclamada premiação estadunidense. Uma delas, de melhor atriz, ficou com a protagonista Olivia Colman, em uma atuação que desbancou a favorita Glenn Close.

E os trabalhos cênicos, de fato, são o ponto alto da obra. Além de contemplar toda a transformação física que sua personagem exige, Olivia transita da paixão ao ridículo com a naturalidade que o roteiro exige. As coadjuvantes Rachel e Emma mantêm o nível alto.

O ridículo, aliás, é a palavra-chave nesta queda de braço pelo poder travestida de triângulo amoroso. A cena em que uma das personagens se estatela na lama simboliza a intenção de Lanthimos em debochar da nobreza, expondo os mesquinhos bastidores e as mais toscas influências que cercam um governo.

“A Favorita” destoa do caráter ensaístico que o cineasta deu a filmes como “Dente Canino”, “Alpes” e até “O Lagosta”, nos quais apresenta personagens apáticos em meio a alegorias sobre as opressoras naturezas humanas.

Agora, segue com seu caráter pessimista sobre as estruturas sociais, mas transpõe isso de grupos familiares ou comunidades menores para um reino. Em seu sonho de grandeza, remete a “Barry Lyndon”, da grande angular kubrickiana à ambientação de época.

Também muda seus enfoques de gênero. Se antes o ataque à estrutura patriarcal ficava evidente, agora traz as mulheres e o lesbianismo ao protagonismo para rechear sua miscelânea de provocações. Uma busca por reinvenção, porém, com uma embalagem mais comercial.

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