24 de janeiro de 2021 Atualizado 21:43

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Compartilhe

Cultura

Cibo: um projeto italiano no combate ao ódio

Por Agência Estado

04 jan 2021 às 07:15 • Última atualização 04 jan 2021 às 09:33

Muito mais que contrastar com o cinza das cidades, a arte urbana é uma forma de manifestação. Ela representa a democratização do espaço público e também é muito usada como forma de crítica social. O termo grafite, aliás, tem origem italiana, da palavra graffito, e é exatamente lá, na Itália, que o projeto Cibo (em tradução livre, comida, em português) surgiu.

“Cibo é criar arte de rua contra o ódio”, resume a descrição do site do artista Pier Paolo Spinazzè, criador do projeto que transforma símbolos nazistas e fascistas em desenhos de comida. Manifestações preconceituosas espalhadas pela rua sempre incomodaram o artista, mas só em 2008, após o assassinato de um de seus amigos por um grupo de extrema direita, é que Cibo nasceu. Segundo Spinazzè, desde aquele dia, encobrir o ódio pelas ruas de Verona virou uma verdadeira missão.

“Vivemos em um mundo injusto e preconceituoso e acredito que é importante fazer algo para tentar mudar as coisas. Eu sei desenhar, este é o meu meio de tentar fazer a diferença ou de, pelo menos, conscientizar as pessoas sobre um problema”, afirma.

Para isso, Spinazzè troca ódio por amor, representado por um das maiores paixões italianas: a gastronomia. “Na Itália, a comida abraça uma grande parte de nossa tradição, cultura e orgulho nacional, mas, o mais importante, é que comida significa passar tempo com as pessoas que amamos, compartilhando felicidade”, explica ele que, somente em 2016, começou a utilizar as redes sociais para expor o trabalho. Com canais no YouTube, Instagram e Facebook, imagens e vídeos de obras do artista são compartilhadas com usuários ao redor do globo. O artista também conta com uma página no Patreon, uma espécie de vaquinha online para artistas.

“Sinceramente, nunca esperei essa fama toda. Acho que é uma prova da validade do trabalho que faço e do compartilhamento das pessoas com os ideais de igualdade e respeito”, conta ele, que hoje, com mais de 330 mil seguidores no Instagram, é alertado por seus fãs assim que um novo grafite racista é criado. “A arte de rua é efêmera por excelência. Ontem, não estava lá, hoje está lá e amanhã não estará lá novamente.”

Apesar da admiração mundial, o artista enfrentou muitos ataques e ameaças de pessoas favoráveis aos movimentos racistas. Além de insultos e mensagens de ódio, Spinazzè tem seus trabalhos arruinados constantemente. E, cada vez que isso acontece, ele retorna ao local e faz um trabalho maior que o anterior. “Quando assumo a responsabilidade de encobrir símbolos de ódio, acho que é meu dever continuar a cuidar deles. Eu não poderia pensar em fazer o contrário. Digamos que, em meu coração, sinto que é um dever de cidadania.”

Formado em design industrial, o artista acredita que o projeto Cibo é uma forma de apagar o ódio do mundo. “Esperançosamente, ele se tornará contagioso o suficiente para inspirar outras pessoas a fazer a mesma coisa usando seu próprio estilo e linguagem”, escreve ele, em sua página.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Publicidade