TV se preocupa com as novas formas de se consumir conteúdo

Em 2018, um sinal de alerta parece ter acendido de forma ainda mais alarmante na televisão


A televisão está em constante mudança. Caso não acelere na direção das novas tecnologias e saiba como “agir” diante de um consumo crescente “on demand”, a audiência só tende a cair. Por isso, dramaturgia, linha de shows e jornalismo estão atentos e, vez ou outra, investem em alguma novidade ou optam por “não mexer em time que está ganhando”.

No caso da dramaturgia, a produção de novela se mostrou dividida. Algumas apostaram em tramas que resgatavam aspectos do folhetim clássico, outras tentaram se inspirar em séries de sucesso pelo mundo. Ao mesmo tempo, a produção de séries na televisão aberta se estabeleceu com mais força em 2018. Várias, inclusive, estrearam primeiro na internet para só depois irem ao ar na tevê. O que reforça a ideia de que a preocupação com as novas formas de se consumir conteúdo está forte.

Foto: Divulgação / Globonews
Estreante “GloboNews Em Ponto” foi escolhido como o “Melhor Telejornal”

JORNALISMO

É normal pensar que um bom dia de trabalho para um jornalista é cheio de escândalos e acontecimentos gigantescos ou marcantes. Se for assim em 2018, os profissionais do meio puderam se regalar. Desde o início e, inclusive, em seus últimos dias, o ano que está para se encerrar se apresentou de forma atribulada.

Além da já esperada enxurrada de pautas sobre as eleições presidenciais e a Copa do Mundo, o jornalismo também pôde seguir se alimentando da alardeada crise financeira, a falência da segurança pública nos mais diferentes estados e o crescimento ao combate das “fake news”. A produção que conseguiu aliar credibilidade, qualidade e se manteve neutra na difícil polarização política foi destaque na eleição de “Melhores & Piores de TV Press”.

Com isso, o estreante “GloboNews Em Ponto” foi escolhido como o “Melhor Telejornal”, segundo a opinião dos assinantes de “TV Press”.

ESPORTES

Em um ano de Copa do Mundo, a editoria de Esporte sabia que não teria um trabalho intenso. Buscando inovar na cobertura do evento, os canais se esforçaram para tirar o melhor proveito dos avanços tecnológicos e reunir o melhor time de comentaristas, jornalistas e ex-atletas em sua programação.

Com a junção das áreas de esporte da Globo, do SporTV e do Globo Esporte.com, o Grupo Globo aumentou seu leque e rotatividade de profissionais entre os diferentes veículos. Muito por conta do poderio econômico e da hegemonia na transmissão de eventos, Globo e SporTV faturaram prêmios nas mais diversas categorias de melhores e piores.

Foto: Divulgação / SporTV
Comandado por André Rizek desde março, o “Seleção SporTV” ganhou uma nova dinâmica e roupagem com o jornalista

GLOBO NEWS EM PONTO

Conteúdo em cena

O recente telejornal comandado por José Roberto Burnier estreou no final de julho deste ano. A produção é sucesso ao aliar as pautas factuais com as análises sobre política, economia e assuntos internacionais.

Com a participação do estrelado time de comentaristas do canal, o “GloboNews Em Ponto” criou suas próprias estrelas para oferecer analises mais profundas e originais das principais notícias. Uma delas é Júlia Duailibi, recém-chegada à equipe do canal a cabo, oriunda do bom “Café com Jornal”, da Band. Comentarista de política ao lado da segunda nova estrela da GloboNews, o criativo Octávio Guedes, a jornalista é um dos principais destaques do telejornal. Eleito o “Melhor Telejornal”.

JORNAL NACIONAL

Falha básica

Nos últimos anos, o telejornal do horário nobre da Globo mostra que está cada vez mais parado no tempo. Mesmo com os impressionantes avanços tecnológicos em seu cenário, a produção esquece diariamente do conteúdo.

Em um ano de eleição, o “Jornal Nacional” não se sobressaiu nem durante as típicas entrevistas de tom denuncista com os candidatos à Presidência da República. Questionamentos importantes e exposição de programas de governo ficaram em um segundo plano.

Mas as conduções controversas de William Bonner e Renata Vasconcellos brilharam como nunca. O “Jornal Nacional” falha ao esquecer princípios básicos do jornalismo. “Pior Telejornal”.

“ESTÚDIO I”

Suavidade e informação

Maria Beltrão tem uma personalidade singular e a impõe nas produções em que está à frente. Atualmente no comando do “Estúdio I”, da GloboNews, a jornalista mantém a linha despojada e de credibilidade que construiu ao longo da carreira.

Unindo notícias factuais com entretenimento, a produção apresenta debates ricos em pontos de vista e sempre muito bem embasados. As discussões mediadas por Beltrão são bem complementadas por nomes consagrados como Artur Xexéo, Arthur Dapieve, Marcelo Lins, Octávio Guedes, Daniel Sousa e Flávia Oliveira. “Melhor Produção Jornalística de Variedades”.

“GLOBO REPÓRTER

Pauta eterna

Apresentado por Sérgio Chapelin, o “Globo Repórter” expressa bem o marasmo de uma sexta à noite em casa. Há 45 anos no ar, o jornalístico investe nas mesmas pautas há décadas. Os mistérios da mente e do corpo humanos, saídas para a crise eterna, vida selvagem e viagens exóticas ao redor do mundo dominam o programa de semana a semana.

Apesar da seleta escolha de repórteres, o programa não afasta a sensação de “déjà vu”. O “Globo Repórter” parece prazeroso apenas para os repórteres, cinegrafistas e produtores escalados para as pautas internacionais, que têm a chance de viajar pelo mundo sem comprometer o orçamento familiar. “Pior Produção Jornalística de Variedades”.

RENATA LO PRETE

Na medida certa

Renata Lo Prete, que assumiu o comando do “Jornal da Globo” em meio a uma crise desencadeada por um comentário racista de William Waack nos bastidores, conseguiu contornar o disse me disse da situação, conduzindo o jornalístico com charme e bom senso. Com a saída de Waack, ela assumiu não só o jornal da madrugada da Globo como o “GloboNews Painel”.

Assertiva e séria no tom certo, Renata trouxe um novo perfil para o “Jornal da Globo” e foi um positivo destaque nas entrevistas com os candidatos à Presidência da República, quando fez perguntas pertinentes sem esquecer da elegância. Foi eleita como a “Melhor Apresentadora de Telejornais”.

DUDU CAMARGO

Vergonha alheia

As excêntricas e volúveis opiniões de Silvio Santos são bem conhecidas nos corredores do SBT. Muitas vezes brincando de fazer televisão, o apresentador nunca deu muita visibilidade para o jornalismo da emissora. Por isso mesmo, não chega a ser surpreendente o espaço que Dudu Camargo, que apresenta o “Primeiro Impacto”, tenha ganhado ao longo dos anos.

Adepto de um jornalismo popular, escrachado e com tom sensacionalista, o jovem apresentador de 20 anos torna-se maior do que as notícias por seu comportamento caricato no ar ou suas brincadeiras fora de hora, como da vez que tirou a roupa durante o fim do jornal. “Pior Apresentador de Telejornal”.

SELEÇÃO SPORTV

Mais que dribles e gols

Comandado por André Rizek desde março, o “Seleção SporTV” ganhou uma nova dinâmica e roupagem com o jornalista, que substituiu Marcelo Barreto. Com uma variedade de debatedores, a produção apresenta um rico contraste de ideias, uma vez que poucas vezes os comentaristas chegam a um consenso. O programa também foge do lugar comum ao exibir boas entrevistas com nomes relevantes do mundo esportivo, como Zico, Abel Braga, Raí, Andrés Sanchez e Júlio Cesar. “Melhor Programa de Esporte”.

“CENTRAL DA COPA”

Muito show, pouco assunto

O “Central da Copa”, comandado pelo onipresente Tiago Leifert, foi uma demonstração impressionante da equipe de tecnologia e engenharia da Globo. Todo construído em led, o cenário contou com um campo virtual para reproduzir a mesa tática, demonstrando lances, jogadas e esquemas táticos. Porém, quando é o assunto é o conteúdo, o programa ficou aquém do esperado.

Exibido nas madrugadas de segunda a sábado e com mais tempo no ar, a produção apresentou mais brincadeiras e discussões vazias do que debates sobre a Copa do Mundo ou a Seleção Brasileira. No ar de quatro em quatro anos, o “Central da Copa” não valeu a espera e nem o atraso no sono. “Pior Programa de Esporte”.

ARNALDO CEZAR COELHO

Hora do adeus

Desde 1989, Arnaldo Cezar Coelho é o principal comentarista de arbitragem da Globo. Arnaldo foi o primeiro brasileiro e o primeiro árbitro não-europeu a apitar uma final de Copa do Mundo. Após quase 30 anos na emissora, o ex-árbitro anunciou sua aposentadoria ao final do Mundial da Rússia. Com comentários claros e técnicos sobre as mais minuciosas regras do futebol, Arnaldo também se destacou ao longo dos anos pelas saudáveis rusgas com Galvão Bueno no ar. “Melhor Comentarista de Futebol”.

GRAFITE

Defendendo a camisa

Aposentado desde janeiro deste ano, o ex-jogador Edinaldo Batista Libânio, mais conhecido como Grafite, ainda mostra dificuldades para separar o lado jogador do lado comentarista. Contratado do SporTV para participar do programa “Troca de Passes” durante a Copa do Mundo, Grafite por muitas vezes se mostra corporativista, com dificuldades para criticar os ex-colegas de profissão. A defesa de certos acontecimentos e comportamentos prejudicou as análises da produção. Mesmo com os comentários sectários, o ex-jogador acabou se fixando no canal a cabo. “Pior Comentarista de Futebol”.

LUÍS ROBERTO

Vibração e emoção

A Globo segue em busca de um nome para substituir seu principal narrador, Galvão Bueno, embora o seu contrato vá até 2022. E, nos últimos anos, Luís Roberto tem despontado nesta disputa com larga vantagem.

Com emoção e humor, Luís Roberto vai além de simplesmente descrever e narrar as partidas. Sagaz, o narrador sabe jogar com o público das redes sociais ao brincar com os próprios bordões e erros. Na Copa da Rússia, ganhou repercussão ao adaptar o bordão “sabe de quem?” durante o gol do jogador da seleção inglesa Harry Kane. Melhor Narração de Futebol. Seleção SporTV

ANDRÉ HENNING

Acima do tom

André Henning tem certa dificuldade para controlar suas emoções e o tom de voz ao longo de suas narrações para o Esporte Interativo. Em setembro, o canal esportivo foi desativado e suas transmissões e programas migraram para a TNT e o Spacer. Em uma nova grade com filmes e séries, a gritaria do narrador ficou mais evidente durante a cobertura dos jogos da Liga dos Campeões e da recém-criada Liga das Nações. O jornalista, que começou sua carreira no rádio, exagera na emoção e nos gritos durante jogadas frustradas e complementar o texto. “Pior Narração de Futebol”.

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