Temperos habituais com tramas modernas

Histórias clássicas e tabus contemporâneos recheiam “O Outro Lado do Paraíso”


Após se encontrarem pela última vez em uma trama contemporânea e cosmopolita, Walcyr Carrasco e Mauro Mendonça Filho voltam a trabalhar juntos em “O Outro Lado do Paraíso”. O folhetim, que estreou na última segunda-feira, espera repetir o sucesso que a dupla encontrou em “Verdades Secretas”, “Amor à Vida” e “Gabriela”.

Desta vez, com um pé do lado dos elementos clássicos dos folhetins, o enredo gira em torno de vingança, ambição e, claro, amor. Para o autor, independentemente da história central, certos assuntos precisam ser discutidos de forma contínua. “A violência contra a mulher, a homofobia e o racismo nunca podem sair de pauta”, explica.

Foto: Divulgação / TV Globo
Histórias clássicas e tabus contemporâneos recheiam “O Outro Lado do Paraíso”

O folhetim é todo ambientado no estado de Tocantins. É no Jalapão que Clara, a protagonista de Bianca Bin, se apaixona por Gael, de Sérgio Guizé. Ela, de origem humilde, acaba se casando com ele, dono de uma fortuna em decadência.

O amor entre eles acaba dando espaço às agressões físicas de Gael e às psicológicas da sogra Sophia, vivida por Marieta Severo. Depois de uma armação, Clara é internada em uma clínica psiquiátrica por dez anos, tempo em que planeja seu retorno e vingança.

RACISMO

Além da violência doméstica, o racismo terá espaço na novela através de Raquel, personagem de Erika Januza. Criada em um quilombo no Jalapão, ela vai para Palmas atrás de melhores condições. E acaba como doméstica na casa de Nádia, de Eliane Giardini. Preconceituosa, ela demite Raquel ao ver que seu filho, Bruno, de Caio Paduan, está apaixonado pela empregada.

“É um drama muito comum, muito real. As pessoas vão se reconhecer”, aposta Erika. A homofobia ficará por conta do personagem de Eriberto Leão. Psiquiatra renomado, Samuel esconde sua orientação sexual por não se aceitar.

Walcyr e Mauro Mendonça optaram por repetir alguns atores de tramas em que estiveram juntos. É o caso, por exemplo, de Marieta Severo e Grazi Massafera, que dá vida à sofisticada Lívia. Para Mauro, os estreantes em tramas da dupla são importantes para dar o frescor necessário à novela. “Fica uma combinação boa, com nomes prováveis e improváveis”, filosofa.

PARAÍSO

Influenciado após uma viagem ao Tocantins, Walcyr Carrasco se inspirou na capital, Palmas, e no paradisíaco Jalapão para criar “O Outro Lado do Paraíso”. As gravações no local começaram em meados de julho e contaram com nomes como Bianca Bin, Sérgio Guizé, Grazi Massafera, Rafael Cardoso, Erika Januza, Caio Paduan e Lima Duarte. Em meio a muita natureza, um cenário foi criado. O bar de Josafá, de Lima Duarte, foi erguido na beira da estrada TO-255, em uma estrutura de 200 m².

De volta ao Rio de Janeiro, nos Estúdios Globo, uma cidade cenográfica de 6,5 mil m² foi construída. Somente a casa da curandeira Mercedes, de Fernanda Montenegro, ocupa quase a metade do espaço. No entanto, o único cenário fixo da novela é a mansão de Sophia, com 620 m².

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora

Receba nossa newsletter!