Record: origem e a história da emissora

Emissora é a mais antiga que ainda está em atividade no Brasil, no ar desde 1953


A Record TV completou 65 anos de existência na última quinta-feira, 27. Por volta das 20h do dia 27 de setembro de 1953, um domingo, Sandra Amaral e Hélio Ansaldo foram os apresentadores responsáveis por inaugurar a TV Record, o canal 7, introduzindo um show musical.

A data não era totalmente aleatória: a ideia inicial de Paulo Machado de Carvalho, fundador da emissora, era que a estreia ocorresse em 7 de setembro, de forma a agregar o Dia da Independência do Brasil e, ao mesmo tempo, fazer alusão ao número do canal. Parte dos equipamentos necessários para as transmissões, porém, eram importados e não chegaram a tempo. Ao todo, existiam menos de 8 mil aparelhos de TV em São Paulo, e estima-se que poucas centenas de pessoas assistiram à emissora naquele dia.

Os primórdios da Record remetem a tempos diferentes. Era comum, por exemplo, a existência de atrações patrocinadas, como os Grandes Espetáculos União, o Grande Teatro Philco 3D e a Grande Ginkana Kibon. Em vez de anúncios coloridos e barulhentos, existiam as garotas-propaganda, que falavam sobre a qualidade dos mais diversos produtos ao vivo – o que por vezes gerava situações inusitadas.

Em 1988, surgiram potenciais compradores da Record. Foi aí que em novembro de 1989, Edir Macedo Bezerra, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e o empresário Odenir Laprovita Vieira resolveram adquirir a emissora em sua totalidade, fazendo, em sequência, diversas alterações no canal.

Foto: Divulgação / TV Record
Record completa 65 anos de muita história na televisão brasileira

DÉCADA DE 1990

Além de programas voltados à religião, a Record contou com a inclusão de diversos programas e apresentadores que se consagrariam no mundo televisivo, especialmente na segunda metade dos anos 1990.

Em 1993, a emissora resolveu apostar em um programa culinário. A escolhida para comandar as manhãs do Note e Anote foi Ana Maria Braga, que à época trabalhava como diretora comercial de algumas publicações da Editora Abril. Ana já tinha experiência como apresentadora na TV Tupi na década de 1970. Estreando em 8 de novembro de 1993, o programa fez sucesso e trouxe também o papagaio Louro José, que é seu companheiro até os dias de hoje.

Foto: Divulgação / TV Record
Ana Maria Braga

Entre algumas das mais lembradas que passaram pelo canal estão Neide Alexandre, Luci Reis, Wilma Chandler e Meire Nogueira, além da conhecida Idalina de Oliveira, um dos principais nomes da área à época. Outro nome que fazia a alegria dos mais jovens era Waldemar Seyssel, o palhaço Arrelia, que teve um programa no canal.

Na área esportiva, realizou sua primeira transmissão interestadual com o Grande Prêmio Brasil, mostrando a corrida de cavalos que ocorria no Rio de Janeiro para o público paulistano no ano de 1956. Por conta do baixo custo em relação a outras produções, do interesse dos anunciantes pelo formato e pelo sucesso de audiência, os programas musicais acabavam se destacando na grade da emissora.

Diversos nomes internacionais chegaram a se apresentar nas telas da Record em apresentações exibidas do Teatro Record, como Nat King Cole, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong.

A Record na década de 1960

Nos anos 1960, diversos programas que marcaram época chegaram ao canal, como a Praça da Alegria, surgida na TV Paulista e exibida pela Record entre 1963 e 1970. A Família Trapo, escrita por Jô Soares e Carlos Alberto de Nóbrega, com direção de Nilton Travesso e nomes como Ronald Golias, Otelo Zeloni, Cidinha Campos e o próprio Jô, que já havia feito sucesso na emissora com o Silveira Sampaio Show, foi ao ar entre 1967 e 1971.

Em 10 de abril de 1966, foi a vez de Hebe Camargo estrear seu programa no canal com o Programa Hebe. Entre o elenco da atração, estava o músico Caçulinha, conhecido atualmente por seus trabalhos no Domingão do Faustão e Todo Seu, de Ronnie Von.

FESTIVAIS

Embalados pelo sucesso do Festival de Música Popular Brasileira de 1965 feito pela TV Excelsior, a Record promoveu eventos semelhantes entre os anos de 1966 e 1969. Elis já fazia sucesso no canal apresentando O Fino da Bossa ao lado de Jair Rodrigues, fazendo com que a emissora focasse mais na parte musical.

Entre os artistas que chamaram atenção nos festivais estão nomes conhecidos como Elza Soares, Geraldo Vandré, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Nara Leão, Gilberto Gil, Os Mutantes, Caetano Veloso, Tom Zé, Gal Costa, Vanusa e Os Originais do Samba.

Um dos principais sucessos do canal durante os anos 1960 era apresentado por Roberto Carlos, ao lado de Erasmo Carlos e Wanderléa, no programa Jovem Guarda

A Record na década de 1970

Este foi o período mais difícil da emissora até então desde a sua fundação.

Além dos prejuízos com recentes incêndios, a Record começou a perder espaço entre os líderes de audiência, especialmente com o crescimento da Globo. O apresentador Raul Gil, que chegou ao canal em 1973, chegou afirmar em entrevista ao Programa do Porchat, em 2018, que foi o responsável por “não deixar a Record falir” àquela época.

No começo da década, O programa Quem Tem Medo da Verdade?, que realizava uma espécie de ‘interrogatório’ com personalidades da época, trouxe indisposições da emissora com diversos artistas, por conta da abordagem considerada sensacionalista.

A emissora apostou em diversos seriados importados, como Família Dó-Ré-Mi e CHiPs, sobre uma dupla de policiais, além de faroestes vindos principalmente da Itália.

Em março de 1970 foi lançado A Hora do Bolinha, apresentado por Edson Cury, o Bolinha. O show de calouros hoje em dia é lembrado por sua semelhança a outros de sucesso, como os de Chacrinha – que também passou pela Record.

JORNALISMO

O telejornalismo da emissora começou a se desenvolver um pouco mais, com programas como o Dia D, considerado por alguns como fonte de inspiração ao Globo Repórter.

O Jornal da Record foi lançado, além do É Tempo de Notícia, rebatizado de Record em Notícias, que ia ao ar por volta do meio-dia, apresentado por Murillo Antunes Alves e Hélio Ansaldo, trazendo comentaristas analisando as principais notícias.

Em 1972, para ocupar o horário das manhãs de domingo, foi criado o Desafio ao Galo, que ficou marcado por cobrir jogos do futebol de várzea paulista ao longo das décadas. Diversos nomes conhecidos do público chegaram a trabalhar no programa, como Faustão e Tiago Leifert. O programa foi extinto em 1996.

Em 1973, dois humorísticos marcantes foram lançados: Bronco Total, estrelado por Ronald Golias, e Os Insociáveis, que trazia ninguém menos que Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Roberto Guilherme (o ‘Sargento Pincel’).

Anos 1980 não foram os mais gloriosos

Apesar de programas como o Dercy Sempre aos Domingos, de 1981, com a experiente Dercy Gonçalves e o Perdidos na Noite, trazido da Band em 1982, comandado por Fausto Silva, algumas produções deixaram a desejar na década de 1980. A emissora praticamente deixou de produzir novelas, algo que lhe era costumeiro até o fim da década de 1970.

Com dívidas e poucas soluções para emplacar a audiência, a Record passou por um período de turbulência, que culminou com a venda da emissora.

Ana Maria Braga saiu da Record para ir à Globo em 1999, e, embora o programa tenha contado com outras apresentadoras conhecidas do público, como Catia Fonseca e Claudete Troiano, não teve mais tanta repercussão.

Nos anos de 1997 e 1998, o repórter policial Carlos Massa, o Ratinho, veio do Paraná para comandar o Ratinho Livre e o Ratinho Show. A partir de 1998, a apresentadora Eliana, que fazia sucesso no SBT, chegou ao canal para movimentar a parte infantil da emissora.

CIDADE ALERTA

Em 1º de abril de 1995, foi ao ar pela primeira vez o Cidade Alerta, programa policial que se consolidou na grade da emissora e existe até os dias de hoje. Seu primeiro apresentador foi Ney Gonçalves Dias, substituído pouco depois por João Leite Neto. Diversos nomes conhecidos também passaram por seu comando, como Marcelo Rezende, José Luiz Datena, Gilberto Barros e até alguns conhecidos do ramo futebolístico, como Milton Neves e o ex-árbitro Oscar Roberto Godói.

ANOS 2000

Na década de 2000 a emissora ficou conhecida por buscar diversos profissionais conhecidos da Globo para o seu quadro de funcionários. No jornalismo, vieram nomes como Paulo Henrique Amorim (2003), Celso Freitas (2004), Marcelo Rezende (2004, vindo da RedeTV!), Britto Jr. (2005), Mylena Ceribelli (2009) e Ana Paula Padrão (2009, vinda do SBT).

Apresentadores da Record nos anos 2000

O ator Marcio Garcia deixou a Globo por volta de 2004 para ser apresentador na Record, função que já havia exercido em programas como o Gente Inocente e o Você Decide. Apresentou O Melhor do Brasil entre 2005 e 2008, ano em que retornou à Globo para atuar em Caminho das Índias. Também apresentou o reality Sem Saída, em 2004, além de participações em outras produções.

Quem fez caminho parecido foi Rodrigo Faro, que deixou as novelas da Globo para se arriscar como apresentador no O Melhor do Brasil, em vaga ‘deixada’ por Garcia, e também no Ídolos. Chegou a apresentar também a edição do reality A Fazenda que não contou com personalidades conhecidas, em 2012. Desde 2014, é considerado um dos carros-chefes dos domingos da emissora, com a Hora do Faro.

Em 2010, foi a vez de Marcos Mion deixar a MTV para apresentar o Legendários, que começou indo ao ar nas noites de sábado e, posteriormente, passou às sextas-feiras. Junto com Mion, outros nomes conhecidos da MTV foram parar no programa, como João Gordo e o grupo de humor Hermes e Renato – em período que ficou conhecido como Banana Mecânica. Mais recentemente, Mion passou a comandar reality shows do canal, como A Casa e A Fazenda.

Também foi na década de 2000 que a apresentadora Eliana migrou dos programas infantis para os de entretenimento para o público em geral, com o Tudo É Possível, que estreou em 2005 na emissora
Outro nome conhecido que passou a fazer parte da Record a partir de 2009 foi Gugu Liberato, com o Programa do Gugu e, mais recentemente, os reality shows Power Couple e Canta Comigo.

Novelas da Record nos anos 2000

Após ter ‘sumido’ do mundo das novelas durante a década de 1980 e ter contado com produções de pouca expressividade no fim da década de 1990, a emissora voltou a apostar também na dramaturgia – e para tal, contou com uma leva de atores vindos da Globo.

A novela Prova de Amor, por exemplo, que foi ao ar entre 2005 e 2006, chegou a ser prolongada devido ao seu sucesso, batendo números acima dos 20 pontos de audiência com certa frequência – chegando a ficar à frente até mesmo do Jornal Nacional, da Globo, por algumas ocasiões. Em seu elenco, constavam nomes como Lavínia Vlasak, Marcelo Serrado, Bianca Rinaldi e Raul Gazolla.

Outras produções foram feitas, como Vidas Opostas, Os Mutantes, Bela, A Feia e Dona Xepa e até uma versão brasileira da novela adolescente Rebelde, sem alcançar tanto sucesso.

A partir de 2015, porém, a emissora passou a investir em produções bíblicas em Os Dez Mandamentos. A Terra Prometida, O Rico e Lázaro, Apocalipse e Jesus vieram em sequência, demonstrando que a linha religiosa parece ter vindo para ficar.

ATUALIDADE

Em 2018, a emissora tem chamado atenção pelo investimento em reality shows: A Fazenda, Canta Comigo, Dancing Brasil, Power Couple, entre outros, tem sido uma aposta frequente nas telas da Record.

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