Milhem Cortaz se empolga com personagem em ‘Amor de Mãe’

Ator enaltece a desconstrução do machista Matias, que busca salvar seu casamento, da trama da Rede Globo


Por trás da voz grave e do jeitão sério de Milhem Cortaz existe um sujeito brincalhão e que se emociona muito facilmente. No ar como o irredutível Matias de “Amor de Mãe”, o ator encara o choro e o riso de um homem em plena desconstrução do machismo para salvar seu casamento. “É um assunto atual e está sendo tratado de forma muito realista. Acho que, se ainda existe esperança para o amor, tudo é válido. É um momento de adaptação do homem e o personagem representa isso de forma muito legal, como um aprendiz mesmo”, explica Milhem.

Paulistano descendente de árabes e italianos, Milhem se descobriu ator cedo. Aos 11 anos, atuou ao lado do falecido Walmor Chagas no teatro. Algumas peças e cursos depois, tornou-se um ator badalado no cinema, onde esteve em produções como “Carandiru”, “O Cheiro do Ralo” e no sucesso “Tropa de Elite”. Paralelamente, teve pequenos papéis em produções da Globo e do SBT, até ser contratado pela Record, onde se destacou em novelas como “Cidadão Brasileiro”, “Chamas da Vida” e “Os Dez Mandamentos”.

Foto: Divulgação
Milhem Cortaz

Após 12 anos de vínculo, em 2017, Milhem optou por não renovar seu contrato. Em seguida, assinou com a Globo, onde esteve em produções como “Ilha de Ferro” e “O Sétimo Guardião”. “Costumo viver todas as fases da minha carreira de forma intensa. Estou gostando das propostas que estão surgindo”, analisa.

Em 2018, você assinou com a Globo por obra para atuar em “O Sétimo Guardião”. Você se surpreendeu ao, em seguida, ser chamado para “Amor de Mãe”?

Milhem Cortaz

Terminei a novela do Aguinaldo (Silva) muito feliz de estar na emissora. Como não sou de ficar parado, já estava começando a buscar projetos no cinema quando surgiu o convite para viver o Matias. Nem pensei duas vezes. É um personagem com conflitos cômicos e dramáticos muito interessantes. Além disso, discute questões de machismo e masculinidade de forma muito atual.

Por conta do ciúme no casamento, o Machado de “O Sétimo Guardião” também abordava o universo masculino de forma atual. Com o fracasso da trama anterior, você encara o Matias como uma segunda chance de abordar o tema?

Milhem

São dois personagens tentando se encontrar e superar problemas em seus relacionamentos. Mas o tratamento é totalmente diferente. O Matias vai por um caminho muito mais realista. E acho que é isso que diferencia ele do tom um pouco mais exagerado do Machado. Encaro esses trabalhos como duas visões sobre a mesma questão. Honestamente, não vejo “O Sétimo Guardião” como a novela “flopada” que todo mundo fala.

Acredita que foi um sucesso?

Milhem

No meu ponto de vista, sim (risos). Construí minha carreira à margem da Globo. Geralmente, os atores começam por aqui e depois vão para a Record ou fazer cinema. Comecei nos filmes e passei pouco mais de década na Record para depois receber um convite para trabalhar de fato na Globo. Estava acostumado a comemorar oito pontos no Ibope. Fiz novelas por lá que, quando davam 17 pontos, eram consideradas um megassucesso. Então, estar em uma obra com média geral de 29 pontos é bem legal. Fora que tenho muito suporte para trabalhar.

Em que sentido?

Milhem

O período de pré-produção das novelas é incrível. Estou interpretando um médico e tive acesso a alguns profissionais da área que me ajudaram muito para criar o “estofo” do Matias. Também passei alguns dias observando o cotidiano de hospitais, vendo de perto a relação – por vezes, injusta – entre o povo da medicina, que se consideram no topo dentro desse sistema, e as outras profissões do setor de saúde. Essa questão do poder e da egolatria entre os médicos é bem definida no meu personagem, por exemplo.

“Amor de Mãe” – Globo – de segunda a sábado, às 21h.

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