Marjorie Estiano mergulha novamente no drama

Atriz vive a talentosa Beatriz, bailarina que acaba de estrear um espetáculo de sucesso em "Justiça", minissérie da Globo


 

Foto: divulgação_Globo
Aos 34 anos, Marjorie é celebrada como um dos destaques de sua geração

Sempre leve e sorridente, Marjorie Estiano parece exorcizar seus dramas em suas personagens. E o que não faltou nos últimos anos foram dores e lágrimas em cenas de extrema densidade em produções como “Império”, “Ligações Perigosas” e agora na novíssima “Justiça”, minissérie que a Globo estreou segunda. “O melhor da profissão de atriz é experimentar situações difíceis e sair delas assim que o diretor grita: ‘corta!'”, ressalta, entre risos.

Na trama assinada por Manuela Dias, a atriz vive a talentosa Beatriz, bailarina que acaba de estrear um espetáculo de sucesso. Ao sair de uma das apresentações, é brutalmente atropelada. Milagrosamente, consegue sobreviver ao acidente, mas se desespera ao saber que ficou tetraplégica e pede ao namorado Maurício, de Cauã Reymond, uma eutanásia.

Natural de Curitiba, aos 34 anos, Marjorie é celebrada como um dos destaques de sua geração. O começo da carreira na tevê, como a Natasha da temporada 2004 de “Malhação”, já foi movimentado, tanto pelas maldades da personagem como pelo apelo musical da Vagabanda, grupo fictício onde a personagem era baixista. Antes de sair da novela, a atriz já tinha inúmeros convites de autores e diretores da emissora e optou pelo chamado de Manoel Carlos em “Páginas da Vida”, de 2006.  Um ano depois protagonizou sua primeira novela, “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva. “Tenho muito orgulho desse trabalho e do quanto amadureci como intérprete ao longo da trama”, valoriza ela, que também teve personagens principais em produções como “A Vida da Gente” e “Lado a Lado”. Geraldo Bessa_TV Press

 

Depois de “Ligações Perigosas”, “Justiça” é a segunda minissérie da qual você participa em 2016. Atuar em produções de curta duração é uma busca sua ou simplesmente aconteceu?

Marjorie Estiano É um pouco de cada coisa. O ator precisa deixar meio que evidente para a emissora, diretores e autores por quais caminhos quer seguir. Eu não fico medindo trabalho pelo número de capítulos. Mas fiquei tanto tempo me dedicando a produções longas que confesso que me sinto bem com essas escalações para minisséries e coisas curtas fora da tevê também.

 

O intenso trabalho de deixar o elenco de “Império” e depois ter de voltar à novela para substituir Drica Moraes a traumatizou?

Marjorie Foi um susto e uma grande surpresa, mas fiquei feliz com a possibilidade de ajudar a produção em um momento tão delicado. Fiz a Cora jovem e depois peguei o “bonde andando” ao encará-la mais madura. Foi um exercício para a minha versatilidade e pareceu coisa de novela mesmo. Depois de alguns capítulos, relaxei e aproveitei a boa história que estava sendo contada.

 

Assim como em “Império” e “Ligações Perigosas”, em “Justiça” sua personagem morre. É um tema que a instiga?

Marjorie A questão da vida e da morte me interessa muito. Sempre me ocorreu que viver não pode ser uma obrigação. Mas, em termos de mortes na ficção, acho que essa nova personagem foi a que mais me tocou.

 

Como assim?

Marjorie Antes da Beatriz eu tinha plena convicção de que cada um tinha direito sobre sua vida e que a morte poderia ser uma opção para quem não quisesse mais continuar. Mas contar essa história me levou a outros questionamentos. Cada caso é um caso e acho que a minissérie retrata uma situação onde a eutanásia foi uma atitude muito precipitada. Beatriz não se deu tempo para raciocinar sobre os outros caminhos de sua nova condição física.

 

O drama tem dominado sua carreira televisiva. Tem receio de começar a se repetir a partir de tipos muito sofridos?

Marjorie Tento pesar isso nos convites que chegam até mim. E embora minhas três últimas personagens tenham trilhado caminhos tortuosos, elas têm diferenças enormes entre si. Cora era uma vilã louca e passional, a Mariana de “Ligações Perigosas” era a mulher perfeita que se entrega ao proibido. E agora tenho uma bailarina que fica tetraplégica. São dores muito diferentes, com referências, inspirações e preparações específicas.

 

Alguma cena foi mais complexa em particular?

Marjorie A que ela apresenta um número solo no palco do Teatro Municipal. Nem a cena do atropelamento foi tão complicada. A sequência demorou muito para crescer durante os ensaios, visto que era necessário produzir uma coreografia à altura do talento da Beatriz. Foram dias batendo cabeça e errando passos até conseguir reproduzir tudo. Precisei de muita disciplina.

 

 

 

 

 

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