Grazi Massafera: conquistas feitas degrau por degrau

Protagonista de “Bom Sucesso”, atriz se identifica com a saga de personagem ao resgatar memórias junto à sua mãe


Grazi Massafera tem motivos de sobra para se orgulhar da própria trajetória. Com calma e inteligência, ela conseguiu conquistar um lugar de prestígio dentro da Globo. Depois de ficar conhecida do público através de sua participação no “Big Brother Brasil”, ela foi lançada como atriz e precisou lidar com duras críticas. Principalmente, da classe artística, que nutria um certo preconceito por dividir cena com uma ex-“BBB”. Porém, aos poucos, Grazi provou seu valor através das personagens que interpretou a cada trabalho.

A primeira experiência em novelas foi como a doce Thelma, de “Páginas da Vida”, em 2006. De lá para cá, atuou em “Desejo Proibido”, “Negócio da China”, “Aquele Beijo” e “Verdades Secretas”, onde ganhou, definitivamente, o respeito de seus colegas por seu desempenho como uma modelo que se vicia em crack. Agora, a atriz reafirma sua força como protagonista à frente do elenco de “Bom Sucesso”.

Foto: João Cotta / Rede Globo
Grazi provou seu valor através das personagens que interpretou a cada trabalho e agora estrela “Bom Sucesso”

Na nova trama das 19 horas, Grazi interpreta Paloma, costureira, mãe de três filhos, que trabalha duro para dar conta da família e dos afazeres de casa. Mas a personagem vê sua vida virar de cabeça para baixo quando descobre que está com uma doença terminal e só tem seis meses de vida. Até que recebe a notícia de que seu exame foi trocado. E começa uma nova saga em busca da pessoa que está, de fato, passando pela situação que ela acreditou ser a sua realidade até então.

O que levou você a topar ser protagonista de “Bom Sucesso”?

O fato de poder fazer uma homenagem à minha mãe, que é costureira. Eu tenho ainda muita memória afetiva, lembro do barulho da máquina de costura quando fecho os olhos. É muita lembrança… Lembrei de quanto minha mãe trabalhava e como isso me ajudou a me tornar uma mulher forte e batalhadora.

Então você se identifica bastante com Paloma….

Sim. E tem um resgate de coisas populares e do público que eu fui durante toda uma vida. Agora, eu vivo dando entrevista, virei atriz de novela, saí desse lugar, mas carrego uma simplicidade. Estou amando fazer esse resgate e trazer essa coisa mais espontânea.

Atualmente, as discussões sobre o papel da mulher na sociedade estão em foco. Qual é a responsabilidade de interpretar uma personagem que sintetiza isso?

É grande porque acaba sendo uma homenagem a todas. A gente está vivendo um momento feminino muito bonito, com personagens interessantes. Me sinto com maturidade para fazer uma personagem assim e retratar a vida de mulheres, mesmo que na ficção.

Você já está preparada psicologicamente para, daqui a alguns anos, ser mãe de adolescente quando Sofia ficar um pouco mais velha?

Não estou (risos). Eu fui adolescente do interior. É outra coisa ser adolescente no Rio de Janeiro. Aqui, são muitos atrativos, então conto com o auxílio do pai e tenho muita conversa com ela, já estou desenvolvendo coisas desse tipo. Eu tinha uma coisa com a minha mãe de não conseguir mentir para ela. Tudo que eu dizia era verdade. Criamos uma relação de amizade e tento já ter isso com a Sofia.

O que você acha que faria se, assim como sua personagem, soubesse que só terá seis meses de vida pela frente?

Talvez, algo parecido com Paloma. Tentar viver intensamente esses seis meses. Mandar tudo para as “cucuias” e viajar com a minha filha para tudo que é lado. Comer, beber, abraçar, beijar e agarrar minha pequena.

Na novela, sua personagem tem uma relação intensa com a leitura. Que lugar os livros têm na sua vida?

Lá na minha casa, eu pegava um livro para ler e minha mãe dizia: “você é vagabunda? Vai trabalhar”. Ler um livro significava não ter o que fazer. Para a maioria dos brasileiros, infelizmente ainda é assim. Não julgo minha mãe e minha família, mas é que tinha essa conotação para eles. Mas o hábito de ler tem de ser desenvolvido desde cedo.

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