Fugindo do óbvio para compor a personagem

Em “O Outro Lado do Paraíso”, Mayana Neiva vive prostituta do interior do Brasil


O medo de enfrentar mudanças passa longe de Mayana Neiva. Há cerca de três anos, ela fez as malas e se mudou para Nova Iorque. Lá, não teve problemas de adaptação e se dedicou, principalmente, a estudar cinema e meditação. Durante o período em que esteve fora do ar na Globo, começou a trilhar os primeiros passos para uma carreira internacional ao acumular duas séries na Argentina, além de dois filmes e duas peças de teatro nos Estados Unidos.

Foi exatamente quando conseguiu entrar de férias que recebeu o convite de Mauro Mendonça Filho para interpretar a Leandra de “O Outro Lado do Paraíso”. A vontade de trabalhar com o diretor pela primeira vez acabou falando mais alto que o cansaço. “Seria uma grande honra trabalhar com essa equipe, que é muito especial por conta do texto, da escolha da temática, dos diretores e dos atores. Na preparação de elenco, estar rolando no chão com a Fernanda Montenegro é uma maravilha!”, diverte-se, citando a intérprete de Mercedes.

Foto: Divulgação
Casada com um americano, atualmente a atriz se divide entre Rio de Janeiro e Nova Iorque

Na história escrita por Walcyr Carrasco, Mayana dá vida a uma prostituta do interior do Tocantins. A personagem é uma mulher exuberante que trabalha no bordel de Pedra Santa. Com a morte de Caetana, papel de Laura Cardoso, Leandra assume o comando do estabelecimento, enquanto mantém um relacionamento secreto com um homem misterioso que também é sócio do bordel. “Leandra quer sair dessa vida. Ela se apaixona e vive contratempos na história que são muito difíceis de enquadrar. É muito mais complexo e acho que o texto do Walcyr contempla bem isso”, explica.

Como se trata de uma mulher mais simples, Mayana quis fugir do óbvio na hora de construir a sensualidade da personagem. A atriz se concentrou no tom de mistério que envolve a trama de Leandra e deixou de lado qualquer glamour que pudesse permear esse universo. “É uma prostituta do interior do Brasil, então é bem diferente de quem trabalha na Avenida Atlântica”, compara, mencionando o endereço de Copacabana, bairro carioca, conhecido por décadas como ponto de prostituição.

Pela primeira vez na pele de uma garota de programa, Mayana passou por uma espécie de desconstrução durante o período em que fez pesquisas sobre o universo de sua personagem. Isso porque, até então, o mundo da prostituição era algo muito distante para a atriz, que viu seu olhar mudar com o decorrer de seus estudos.

Primeiro, assistiu a documentários e filmes sobre o assunto. Entre eles, títulos do diretor argentino Arturo Ripstein. “Eu queria sair daquela coisa de ‘Uma Linda Mulher’, então fui procurar cineastas que filmavam esse lugar mais cru, mais ‘underground’ da prostituição, que é mais o que trata a novela”, ressalta.

Depois, resolveu conversar pessoalmente com mulheres que trabalham em São Paulo e no Rio de Janeiro. “Foi muito impactante para mim. Foi um processo com um começo bem difícil para depois chegar a um ponto onde você ama e entende aquelas histórias e se compadece”, conta.

FORMATO BRASILEIRO

Fazia tempo que Mayana Neiva não vivia o ritmo intenso de gravação de uma novela. A última que fez foi “Sangue Bom”, exibida em 2013 pela Globo. Por isso, ela confessa que já estava sentindo saudade da rotina atribulada de quem integra o elenco de um folhetim. Não que não tenha aproveitado o período em que esteve fora do Brasil, não só para estudar, como também para trabalhar.

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