Fabiula Nascimento mostra seriedade com Nana

Atriz viveu os dilemas e frustrações de uma personagem quarentona que tenta se livrar de um casamento falido e salvar os negócios da família


Sempre que está terminando um trabalho, Fabiula Nascimento jura para si mesma que é a hora de tirar longas férias. Porém, “workaholic” assumida e disputada por autores e diretores, acaba cedendo aos bons convites que vêm surgindo de forma incessante nos últimos dez anos.

Ela acredita que o fato de ter estreado na tevê aos 30 anos se reflete no fato de abraçar as boas oportunidades que surgem de forma tão intensa. “Custei a acreditar que poderia construir uma carreira tão legal. Fiz o caminho inverso da grande maioria dos meus amigos de geração. Mas logo entendi que a televisão funciona a partir de bons desempenhos e as coisas começaram a acontecer”, analisa.

Foto: Divulgação / TV Globo
Fabiula Nascimento

Natural de Curitiba, aos 41 anos Fabiula mostra que está exatamente onde quer. Na recente novela “Bonsucesso”, ela viveu os dilemas e frustrações de uma personagem quarentona que tenta se livrar de um casamento falido e salvar os negócios da família.

“É ótimo falar sobre coisas que, de forma geral, estou passando também”, admite a atriz, que viu no papel uma forma de diversificar a carreira perante o público da tevê aberta, já acostumado a vê-la interpretando tipos mais histriônicos como a Olenka de “Avenida Brasil”, a Paulucha de “I Love Paraisópolis” e a Cacau de “Segundo Sol”.

“Não escolho meus trabalhos por gênero, mas está sendo ótimo fazer uma novela das sete e mesmo assim experimentar outros tons. Nana é uma mulher totalmente possível e vive entre a dor e a delícia do cotidiano”, valoriza.

Depois de emendar as gravações de “Segundo Sol” e “Sessão de Terapia”, você poderia facilmente ter recusado o convite para “Bom Sucesso”. O que a fez participar da novela?

Fabiula Nascimento

Li a sinopse e logo me encantei pela história e pela personagem. Nana era uma mulher de 40 anos que agia de acordo com a sua idade. Ela tinha problemas familiares graves, fazia de tudo para salvar os negócios, viveu um casamento sem amor e carregava uma série de frustrações internas. A bagagem foi pesada, mas tudo foi contado de forma muito leve. Foi isso que me encantou.

Boa parte de suas personagens são extrovertidas e exageradas. A Nana já eramais sisuda e fechada. Ela nasceu de alguma vontade sua de fazer coisas diferentes na tevê aberta?

Fabiula

Também. Nunca escolho personagens pelo gênero, mas sim pelos conflitos. Mas é lógico que a Nana me levou para um outro caminho. Quando fui experimentar o figurino e vi um monte de roupas escuras, elegantes e retas, fiquei bem surpresa. Não é uma questão de mostrar que sei fazer algo mais sério, queria apenas construir uma trajetória diversificada.

Apesar de ser exibida às sete da noite, “Bom Sucesso” abordou questões polêmicas como o estupro marital, cometido pelo Diogo (Armando Babaioff) contra a Nana. Como você encarou essa cena?

Fabiula

O roteiro pedia delicadeza. Minha personagem estava desacordada e o marido forçou uma relação sexual. Acho de uma coragem enorme da Rosane (Svartman) e do Paulo (Halm) de tocar em um tema tão complexo e recorrente nos lares brasileiros. Foi tudo feito de forma delicada, mas o recado foi transmitido: não importa se é o marido, ninguém tem qualquer posse sobre o corpo do outro.

Você estreou na tevê há pouco mais de uma década e está sempre com alguma produção no ar. De onde vem essa urgência?

Fabiula

Não sei. No início, minha “desculpa” era de que queria ganhar repertório (risos). Mas isso é um fato. Eu tinha 30 anos quando entrei pela primeira vez em um estúdio de tevê e me sentia uma estranha no ninho. Não sabia para onde olhar e nem em qual tipo de personagem investir. Fui aprendendo e me “encontrando” na marra mesmo. Foi um processo muito intenso e que me rende muitas alegrias. Acho que entendi logo que a tevê valoriza atores que realmente se entregam e estão a fim de trabalhar.

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