Fábio Assunção vê novo momento para o audiovisual

Aos 46 anos, o ator conta com uma vasta trajetória de protagonistas e personagens de sucesso na tevê


Aos 46 anos, Fábio Assunção conta com uma vasta trajetória de protagonistas e personagens de sucesso na tevê. Porém, apesar de empenhar uma carreira sólida e variada no vídeo, o ator ainda busca novas experiências para se saciar artisticamente. No ar na supersérie “Onde Nascem os Fortes”, o intérprete do rude Ramiro começa a desenhar novos rumos para sua trilha profissional dentro e fora da televisão.

O avanço da internet e dos serviços de “streaming”, por exemplo, fizeram com que Fábio repensasse sua relação com as artes. “Vamos driblando as características do mercado. Agora temos a internet, outros formatos, e está todo mundo se questionando como se adequar a essa nova linguagem, como conversar com os jovens. Que peça eu vou levar aos palcos agora, sendo que consumimos coisas de forma muito mais rápida? Adequar-se é o grande desafio”, explica.

Foto: Divulgação / TV Globo
Fábio, intérprete do rude Ramiro começa a desenhar novos rumos para sua trilha profissional

Natural de São Paulo, o ator começou na tevê em 1990, quando estreou na novela “Meu Bem, Meu Mal”. De lá para cá, os olhos azuis e o porte de galã lhe garantiram diversos mocinhos no currículo. Ainda assim, o ator conseguiu emplacar alguns vilões, como o Renato Mendes de “Celebridade”.

Com uma carreira sem grandes intervalos fora do ar – algumas pausas, no entanto, foram provocadas por seu assumido problema com as drogas -, Fábio desacelerou o ritmo no vídeo e, por quatro anos, integrou o elenco da série “Tapas & Beijos”.

Como foi a inspiração para o visual do Ramiro?

Fábio: O Ramiro é um juiz do Sertão. Por isso, a ideia era que o visual fosse mais rústico e um pouco inspirado nos antigos coronéis. Ele se veste todo em linho, parece uma figura um pouco fora do tom da série e essa barba remete a essa forma de poder, já que ele é o juiz da cidade. Estou gostando da barba, já me acostumei. Acho que, quando acabar a série, vou manter.

Ramiro é um personagem rude e que está em constante atrito com o filho. Porém, ele também nutre um amor pelas aves. Como é dar vida a um papel com tantos contrapontos?

Fábio: Esse amor que ele tem pelas aves é interessante porque, embora ele converse com elas, os nomes delas são os das pessoas que ele já matou e ele só tem esse afeto pelas aves porque elas estão sob seu controle. É um tipo de pessoa que precisa ter tudo sob controle, o que se encaixa no perfil de ser juiz, então creio que amor, de fato, não existe. Trabalho no personagem a falta de amor, a questão seca, a frieza e o fato de ele não valorizar os outros seres.

Como foram as gravações na Paraíba?

Fábio: Foi um período maravilhoso. Gosto muito do sertão, tem um silêncio e uma atmosfera única no Brasil. Começamos as gravações pelo sertão e fizemos até o capítulo 30. Depois viemos para o estúdio fazer tudo e voltamos para o sertão de novo. É um método diferente do que eu estava habituado. Mas acho que, tendo uma leitura do todo, não traz grande dificuldade.

Nos últimos anos, você esteve envolvido em muitos projetos cômicos, como “Tapas & Beijos” e a série “A Fórmula”. Como é voltar a trabalhar com o drama?

Fábio: Pesado. A época do “Tapas” foi uma experiência indescritível. Foram cinco anos trabalhando com aquela turma e era divertidíssimo fazer. O meu DNA de ator tem mais a ver com esse tipo de pegada do drama. Sou mais psicológico do que um cara engraçado, gosto de trabalhar os olhares, os tempos, subtextos e o humor atropela tudo isso. O humor é a resposta rápida, é agilidade. Aprendi muito em “Tapas & Beijos”, mas aqui, em “Onde Nascem os Fortes”, estou muito na minha praia.

Ao longo da sua carreira, você sempre ocupou o posto do galã. Como está lidando com a passagem do tempo?

Fábio: Esse rótulo de galã eu sentia quando era mais novo, mas o passar do tempo é ótimo, só ganho com ele e me torno uma pessoa melhor. Com o tempo, deixei muitas coisas para trás. Eu era impaciente, ansioso, extremamente preocupado com tudo. Hoje tento lidar com a vida de forma mais prazerosa.

Instantâneas

# Além de atuar, Fábio Assunção também trabalha como diretor teatral e é dono de uma produtora
# Em 2012, ele estreou como diretor teatral com o espetáculo “Expresso do Pôr do Sol”.
# Fábio foi indicado ao Emmy Internacional, na categoria Melhor Ator, pelo trabalho na minissérie “Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor”.
# Em 2010, foi escalado para interpretar o vilão Léo em “Insensato Coração”, mas deixou o elenco após faltar às gravações seguidas vezes por causa de uma recaída com as drogas. O ator foi substituído por Gabriel Braga Nunes.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora

Receba nossa newsletter!