Especial de Natal da Globo usa material reciclado

A exibição de "O Natal Perfeito" será na segunda-feira, após a novela das 21h, com reprise no dia 25, depois da Sessão da Tarde


A história de uma menina rica, que tem tudo, mas resolve fugir de casa quando não ganha o presente que queria dos pais, se opõe à de um menino órfão, que mora num ferro-velho e constrói seu mundo a partir do lixo, no novo especial de fim de ano na Globo, O Natal Perfeito. A trama, estreia da atriz Priscila Steinman como autora, traz as crianças Melissa Nóbrega e Cauã Antunes como protagonistas, com Caio Blat, Bruno Cabrerizo, Tainá Müller e Alexandre Zachia no elenco de apoio. A exibição será no dia 24, após O Sétimo Guardião, com reprise dia 25, depois da Sessão da Tarde.

No especial, o mundo de Jonas (Cauã) é feito a partir de peças recicladas, o que propôs um desafio para a direção de arte, de trabalhar a questão da consciência ambiental. Grande parte do cenário foi reaproveitado, principalmente a partir de material descartado no complexo de estúdios da Globo. Sucata, vasos, louças de banheiro, sobras de cano, parafusos, eletrodomésticos velhos foram transformados em novos objetos cênicos.

Foto: Sergio Zalis / Rede Globo
Caio Blat interpreta o “Senhor Perfeito” no especial

“Foi um processo muito vivo de criação”, afirma o diretor de arte, Moa Batsow. “Praticamente nada foi comprado em lojas. Fizemos muito garimpo pelos Estúdios Globo (acervos, cidades cenográficas, lixo), depósitos de materiais reciclados e ferro velhos do Rio.” Segundo ele, os planos iniciais foram mudando, para melhor, a medida que encontravam novas peças.

A cenografia reciclada foi um desafio também para o diretor artístico, Vinícius Coimbra. “Quando fazemos um cenário, geralmente são usados materiais leves, para você conseguir abrir uma parede”, exemplifica o diretor. “Os objetos reais são muito pesados. A gente usou um ônibus de verdade. Tivemos que nos adaptar e câmera teve que se encaixar. O máximo que fizemos foi tirar o vidro do ônibus.”

Um dos grandes vilões da narrativa ficou de fora, também, dos bastidores. “Evitamos usar o plástico no cenário. Usamos materiais mais recicláveis, o que faz parte do conceito do protagonista”, explica Coimbra.

Dando continuidade ao projeto, assim que foram encerradas as gravações, todos os objetos cenográficos já tinham um caminho definido. “Todos ganharam o melhor destino: foram reciclados. Muitos em usinas de reciclagem e outros internamente na Globo”, diz Batsow.

O conceito do especial surgiu na mente de Steinman a partir de uma viagem à China. “Vi uma obra de arte que era um maquinário enorme e aparentemente sem sentido, mas que ao se movimentar emitia um som estranhamente harmonioso.” A autora se inspirou ainda em uma exposição dos artistas plásticos Gêmeos, que viu em Nova York, e ainda na animação Wall-E, da Pixar. “A partir dessas motivações, decidi falar sobre diversidade, empatia, amizade, consciência ambiental, ética e valores.”

Tudo isso, claro, sob o ponto de vista das crianças. “Acho que os adultos são coadjuvantes do protagonismo dessas crianças. Eles são dilatados da realidade. São arquétipos bem definidos”, analisa a atriz Tainá Müller. “O legal desse especial é que tudo fica mais lúdico e fantasioso. Você não sabe o que é imaginação, realidade.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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