Discriminação, intolerância e racismo são abordados em minissérie

Em “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, Ricardo Linhares aborda o jogo de aparências dos dogmas sociais


A fragilidade e a artificialidade das relações sociais são temáticas que atravessam o tempo. Não à toa, a trama de “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, nova minissérie da Globo, ganha toques atemporais apesar de ser ambientada na década de 1960.

Com estreia prevista para esta segunda, dia 15, a produção se baseia em um grande jogo de aparências da população da fictícia cidade de São Miguel. “A sociedade era controlada pelo patriarcado branco, que ditava a hipocrisia do jogo de aparências. São Miguel é um microcosmo do Brasil, das relações de poder e opressão. A discriminação, a intolerância com comportamentos que desafiam as regras e o racismo são questões atuais, cujas raízes estão no passado”, explica Ricardo Linhares, responsável pelo texto da minissérie.

Foto: Divulgação
O trio formado pelos garotos João Gabriel D’Aleluia (esq.) e Xande Valois (dir.) e o veterano Antônio Fagundes investiga o que estaria por trás do assassinato de Anita (Thainá Duarte).

“Optamos por conduzir a narrativa de uma maneira em que as coisas não são mostradas, são sugeridas. Assim, não entregamos tudo de uma vez ao público. Essa estratégia de dar pouca coisa para quem vê causa o que a gente chama de efeito côncavo, em que é preciso prestar atenção para entender. A história tem de atrair”, ressalta o diretor Carlos Manga Jr..

A história é narrada através das lembranças de Paulo, interpretado por João Gabriel D’Aleluia/Milton Gonçalves. Ao lado do amigo Eduardo, papel de Xande Valois, Paulo encontra o corpo da jovem Anita, vivida por Thainá Duarte, à margem de um lago. Acusados de um crime que não cometeram, eles percebem que existe um mistério em torno do caso, envolvendo figuras importantes da sociedade de São Miguel, como o prefeito Adriano Marques Torres, a primeira-dama Isabel, o empresário Geraldo Bastos e sua esposa Adalgisa, vividos por Murilo Benício, Débora Falabella, Gabriel Braga Nunes e Mariana Ximenes, respectivamente.

Por conta própria, os garotos iniciam uma perigosa investigação e acabam conhecendo o enigmático Ubiratan, de Antônio Fagundes, a quem pedem ajuda.

Débora Fallabela compara clima de repressão de “Se Eu Fechar Os Olhos Agora” com o Brasil atual

A versatilidade é uma das marcas de Débora Falabella. Com uma extensa e premiada carreira, Débora já conquistou o público tanto pelas mocinhas açucaradas como por suas vilãs exageradas. Em “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, a atriz teve de se despir um pouco de sua usual energia para viver a densa e reprimida Isabel, primeira-dama da fictícia cidade de São Miguel.

Mineira de Belo Horizonte e torcedora do Cruzeiro, a estreia de Débora na tevê foi de forma tímida, com um pequeno papel na temporada de 1998 de “Malhação”. O reconhecimento, entretanto, só chegou depois de entrar, em 2000, para o elenco de “Chiquititas”, do SBT.

“A novela lançou vários talentos. Tenho muito orgulho de ter feito parte desse projeto”, conta. A partir de trabalhos como “O Clone”, “Senhora do Destino”, “Sinhá Moça” e, sobretudo, “Avenida Brasil”, Débora acabou por integrar o time mais nobre de atores da Globo, com poder de negociação para escolher quais trabalhos quer fazer na emissora.

Recentemente, protagonizou “Nada Será Como Antes”, minissérie também ambientada nos anos 1960. “Embora sejam da mesma época, são histórias com caminhos e gêneros diferentes. “Nada Será Como Antes” tinha um cunho histórico muito bem delineado e abordava o cotidiano de mulheres à frente de seu tempo. Em “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, a mulher se coloca na sociedade sempre de forma subserviente ao marido” afirma Débora.

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