Bebel para Rosália, da água para o vinho

Em “Malhação”, Guta Stresser fala sobre cuidado com a construção da personagem


Guta Stresser vive uma espécie de recomeço na carreira. Afinal, com 17 anos de trajetória na televisão, ela nunca havia atuado em uma novela. Antes de surgir a Rosália de “Malhação”, sua atual personagem, a atriz esteve apenas em seriados e séries como “Mister Brau”, “Amorteamo” e “A Grande Família”.

Nessa última, dedicou 13 anos na pele da espevitada Bebel. Até hoje, aliás, o papel gera comentários nas ruas. Volta e meia, Guta é abordada por alguém que a chama pelo nome de sua antiga personagem. Sem falar nos fã-clubes que movimentam as redes sociais diariamente com fotos saudosistas do elenco. A atriz tem plena consciência da importância de Bebel em sua história. Por isso mesmo, toma cuidado constantemente para não deixar os trejeitos do papel que interpretou por tanto tempo influenciarem na construção da batalhadora Rosália.

Foto: Divulgação
Guta Stresser

As personalidades opostas das duas personagens, a Bebel de “A Grande Família” e a Rosália de “Malhação”, ajudam Guta a não se repetir em cena. Na história escrita por Patricia Moretzsohn, Rosália é uma mulher simples, que trabalha como empregada doméstica na casa de Isadora, interpretada por Ana Beatriz Nogueira. Mas, diferentemente da forma como, em geral, a classe é retratada nas novelas – em segundo plano e quase como figuração –, em “Malhação”, a personagem está no centro da trama do núcleo em que está inserida.

O que mais chama sua atenção em relação à Rosália, sua personagem em “Malhação”?

Guta Stresser
A Rosália é uma mulher maravilhosa, batalhadora, brasileira. Uma doméstica, mãe, uma mulher que se sacrifica pela filha e é muito leal à patroa, a Dona Isadora, personagem de Ana Beatriz Nogueira, com quem é um privilégio trabalhar. Minha personagem representa muito as mulheres. Espero dar um presente em empoderar essa classe tão batalhadora, digna e maravilhosa, que dá duro. Quero dar muita dignidade e jogar uma luz sobre essas mulheres que dão conta da sua família, da família dos outros, da sua casa, da casa do outro.

E como foi seu processo de composição para o atual trabalho?

Guta
Me inspirei muito na Claudia, minha assessora do lar, que inclusive tem coincidências com a Rosália. Assisti a muitos filmes, como “Que Horas Ela Volta?”, com a Regina Casé, que já era um filme que amava e usei como referência. Quando comecei a construir a Rosália, pensei nessas mulheres fortes que, com as últimas chuvas no Rio de Janeiro, viu sua casa ser inundada, perdeu tudo, e ainda tinha uma garra para trabalhar com um sorriso no rosto para tentar conquistar tudo novamente, como uma heroína.

De alguma forma interpretar uma empregada doméstica influencia na sua visão sobre essa classe trabalhadora?

Guta
Acho que sim. Mas sempre respeitei muito essa classe, que está aí para limpar a casa do outro, arrumar a cama do outro, fazer a comida para o outro e ajudar o outro com toda a dignidade. Nunca quis que a Rosália fosse servil, a gente quer justamente empoderar essa mulher, essa classe, dar respeito e não colocar naquele lugar da pobrezinha, coitadinha. Ela é uma profissional, que rala e dá duro.

Esta é a primeira vez que você integra o elenco de “Malhação”. Como surgiu a oportunidade para interpretar Rosália?

Guta
Fiz o teste e passei. Fiquei feliz por essa nova experiência profissional. É legal trabalhar com esse elenco jovem porque dá uma renovada na gente. A maioria deles está chegando na televisão agora, o que é ótimo. Fazer novela foi uma opção, assim posso experimentar o formato.

Aliás, você ficou 13 anos no ar como a Bebel de “A Grande Família”. Quais recordações guarda desse longo período de trabalho ao lado de nomes como Marieta Severo, Marco Nanini e Pedro Cardoso?

Guta
Quando “A Grande Família” acabou, foi muito difícil. São companheiros maravilhosos e pessoas que admiro. Acho que durante minha carreira fiz boas escolhas, trabalhei com pessoas com quem amei trabalhar. Foi uma fase feliz da minha vida. Tenho saudade dos colegas, da convivência diária. Cada um seguiu seu caminho, mas, quando a gente se vê, é motivo de festa.

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