Ângela Vieira fala da redescoberta do amor

Personagem Vera trouxe discussão sobre amor maduro, inserção nas redes sociais e a ocupação de postos de trabalho para quem tem mais de 50 anos


O trabalho em “Bom Sucesso” carrega uma série de significados para Ângela Vieira. Ao longo da história de Rosane Svartman e Paulo Halm, ela aborda diversas temáticas importantes e em destaque na sociedade atual. Com a chegada da personagem ao folhetim, o enredo passou a discutir o amor maduro, a inserção da geração mais velha nas redes sociais e a ocupação de postos de trabalhos por pessoas com mais de 50 anos.

“A Vera é uma personagem muito legal. Ela é porta-voz de algumas coisas que eu acho que não só são boas de falar, como eu acho que serão bem-vindas para o público. Ela fala sobre um processo que está acontecendo no Brasil. A nossa população está em processo de envelhecimento. O mercado de trabalho tem sido bastante ocupado por pessoas da minha idade (67 anos). Ser porta-voz disso em uma novela é muito legal, porque é verdade e, de uma certa forma, a gente sabe que a novela entra nas pessoas. Essa situação é uma delas”, vibra.

Foto: Divulgação
A intérprete da elegante Vera aborda diversas temáticas importantes e em destaque na sociedade atual

Na história, Vera decide dar uma nova guinada na vida após descobrir uma traição do marido. Ao ir morar com a filha Eugênia, de Helena Fernandes, ela busca voltar ao mercado de trabalho. Para isso, ela conquista uma vaga no departamento de marketing da Editora Prado Monteiro. Solteira após um longo casamento, Vera inicia um romance com Alberto, de Antônio Fagundes.

“É uma delícia gravar com o Fagundes. A gente não trabalhava junto desde ‘Por Amor’. Nunca tinha feito par romântico com ele, estava sempre na periferia (risos). É uma personagem que não fica até o final. Ela chega para dar uma mexida na história”, afirma.

Você estava de folga das novelas desde “Pega-Pega”, que foi ao ar em 2017. Como surgiu o convite para “Bom Sucesso”?

Ângela Vieira
Eu não sabia que entraria na novela. Tanto não sabia que eu ia estrear um espetáculo em janeiro. A Vera, provavelmente, não fica até o final. Pelo menos, foi o que me falaram. Ainda assim, eu estaria em processo de ensaio e seria impossível conciliar porque estou gravando todos os dias. Adiei minha estreia para março. Foi uma agradável surpresa.

Como foi entrar no meio da trama?

Ângela
Chegar em uma novela na metade é sempre uma coisa complicada. Todo mundo já está em outro esquema e as relações já estão desenvolvidas. Mas eu tive sorte porque eu realmente acompanhava a novela. Mandei muitos recados para os colegas e para a direção.

É uma equipe que eu estava bastante familiarizada e que trabalho com bastante tranquilidade. Fizemos “Pega-Pega” juntos e fomos muitos felizes. Vejo que todo mundo está feliz nesse projeto também. Então, foi uma chegada legal.

Após ser traída pelo marido, a Vera engata um romance com Alberto. Como é trabalhar essa questão do amor maduro?

Ângela
Acho uma maravilha. Eu e meu marido éramos amigos antes começarmos a namorar. Conhecia o Miguel (Paiva, cartunista) há muitos anos. Começamos a namorar e eu estava com 50 anos. Achei um espetáculo. Eu achei aquela coisa no peito que é efervescente, você se sente tendo uma emoção latente. Certamente, eu amo de uma forma diferente hoje. Principalmente quando você vem de outras experiências.

Uma mulher da minha idade, quando é traída, fica achando que não tem mais chance de ser admirada, de ser cortejada. Isso passa pela cabeça de boa parte das mulheres. O importante é não acreditar nisso. Então, vai, sai para vida. Nessa relação com o Alberto, a Vera fica feliz porque é tratada com muita gentileza e delicadeza.

Mas como fica a Paloma dentro dessa relação?

Ângela
Acho que causa uma estranheza ver essa outra mulher por perto e tendo uma relação tão legal, muito cordial e alegre. Não sei como isso vai se desenrolar totalmente, mas não acho que seja ciúme. Não sei como esse casal irá terminar. Mas acho que a Vera vá sofrer com a possível morte do Alberto ou com uma ruptura dos dois.

Recentemente, você esteve no ar na reprise de “Por Amor”, do “Vale a Pena Ver de Novo”. Que lembranças você carrega dessa novela?

Ângela
É uma novela muito atemporal. Lembro de quando o Manoel Carlos me avisou da cena em que a Virgínia descobre que o marido tinha um caso com outro homem. Era um sábado e ele disse que a sequência tinha seis páginas e 90% do texto era meu. Eu iria gravar na terça. Disse para o Maneco deixar o roteiro na portaria. Falei para o Odilon (Wagner), que é meu amigo de uma vida toda, que iria chorar para caramba.

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