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Cultura

Casa cheia

Com trama confusa e estética pobre, “Salve-se Quem Puder” falha ao tentar retomar o “besteirol” das sete

Por Geraldo Bessa - Tv Press

19 abr 2021 às 08:05

Deborah Secco salva o trio de protagonistas em meio à doçura enjoativa da atuação de Juliana Paiva e o exagero inexplicável de gritos e caretas que surgem de Vitória Strada - Foto: Divulgação

De volta ao ar depois de um ano interrompida por conta da pandemia, “Salve-se Quem Puder” foi concebida por Daniel Ortiz como uma grande homenagem ao horário das sete. Muito influenciado por nomes como Cassiano Gabus Mendes, Carlos Lombardi e Silvio de Abreu, o autor tenta a todo custo celebrar seus mestres, mas de forma atualizada.

Ao homenagear “Sassaricando”, de 1988, em “Haja Coração”, de 2016, Ortiz conseguiu sintetizar suas ideias de forma coerente e divertida. Agora, no entanto, em sua primeira trama totalmente autoral, ele é traído por sua própria megalomania ao criar um enredo com três protagonistas que têm suas mortes simuladas e assumem três diferentes identidades.

Cassiano já tinha experimentado o multiprotagonismo feminino em “Elas Por Elas”, assim como Lombardi fez sucesso com o quarteto vingativo de “Quatro Por Quatro”. Ao beber da mesma fonte, Ortiz mais confunde do que conquista o telespectador, mesmo que o público tenha uma segunda chance de rever a trama desde o início.

Na história, após se conhecerem em Cancún, no México, e presenciarem o assassinato de um poderoso juiz, a pragmática Alexia, a romântica Luna e a desastrada Kyra, papéis de Deborah Secco, Juliana Paiva e Vitória Strada, entram no Programa de Proteção à Testemunha e são enviadas para Judas do Norte, interior de São Paulo.

Com suas personas originais dadas como mortas, elas mudam seus nomes para Josimara, Fiona e Cleyde, respectivamente. Todo esse cuidado é necessário para protegê-las de um grupo de assassinos. Quem deseja a morte delas é a inescrupulosa Dominique, de Guilhermina Guinle, uma das líderes de uma facção envolvida em negócios escusos.

A vilã é tia de Renzo, de Rafael Cardoso, que teve um tórrido romance com Alexia em território mexicano e vive um dilema ético por não compactuar com as ilegalidades da família. Com ar de “thriller” policial e em sintonia com o empoderamento feminino, a novela aposta no humor pueril que já fez muito sucesso no passado, mas que hoje só resulta irritante e o principal motivo para a trama não fluir de forma natural.

Aliás, tudo em “Salve-se Quem Puder” parece forçado. Nem mesmo a direção do eficiente Fred Mayrink consegue valorizar um texto que carece de sutilezas e inteligência. Mesmo sendo pupilo do saudoso Jorge Fernando, o diretor não demonstra domínio cômico e, especialmente, parece que não está totalmente pronto para uma novela que exija tantas cenas de ação.

Apesar do esmero nos efeitos visuais, a atual trama das sete tem um resultado estético parecido com as novelas contemporâneas da Record. As chuvas e tempestades que dominaram as primeiras sequências nem de longe parecem ter o acabamento que a Globo institucionalizou em suas produções.

Com um elenco dois tons acima do apropriado, Deborah Secco salva o trio de protagonistas do fiasco e faz de sua Alexia um ponto fora da curva em meio à doçura enjoativa da atuação de Juliana Paiva e o exagero inexplicável de gritos e caretas que surgem de Vitória Strada. Com estética de “ontem”, mas sem o mesmo vigor em diálogos e situações, “Salve-se Quem Puder” é uma homenagem às avessas aos clássicos das 19 horas.

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