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Cultura

Camila Amado morre aos 82 anos; relembre sua carreira no teatro e TV

Por Agência Estado

06 jun 2021 às 16:40 • Última atualização 06 jun 2021 às 17:40

Camila Amado, atriz conhecida por seus trabalhos no teatro e na televisão, morreu neste domingo, 6, aos 82 anos de idade. A causa da morte ainda não foi divulgada. Entre seus últimos papéis estão Tia Candoca, no remake mais recente da novela Éramos Seis, exibida pela Globo entre 2019 e o ano passado, e a personagem Aurélia, no filme e na série sobre Chacrinha lançados recentemente. Ela também estrela o curta A Balada da Nobre Senhora, que ainda não foi lançado.

Camila começou a trabalhar ainda na adolescência, dando aulas de latim com a mãe, Henriette. Aos 17 anos, buscou a independência e o sonho de se tornar atriz, sob protestos do pai, Gilson, criador da TV Educativa e irmão de Jorge Amado. Em entrevista ao Estadão em setembro de 1998, aos 60 anos, a atriz refletia sobre a vida: “É claro que eu preferia estar fazendo 30 anos, mas tenho preguiça de ser tão inexperiente de novo”.

“Recuso-me a ter a personalidade que me impõem; a personalidade é como uma roupa que a gente usa e pode trocar à vontade. Herdei quadros e terrenos que ia vendendo à medida que queria produzir meus espetáculos, mas a herança acabou”, contava, sobre seu jeito de ser e sobre a dificuldade em encontrar patrocínios para suas peças.

Além de suas inúmeras participações em peças e espetáculos teatrais ao longo das décadas, a atriz também participou de novelas e programas diversos. Camila chegou a ser premiada como melhor atriz coadjuvante no IV Festival de Cinema Brasileiro de Gramado, em janeiro de 1976, por sua atuação em O Casamento, de Arnaldo Jabor, inspirado na obra de Nelson Rodrigues.

Em 2013, em protesto à indicação do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) para o comando da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deu um beijo na colega Fernanda Montenegro durante o evento da 7ª edição do Prêmio da Associação dos Produtores de Teatro do Rio (APTR).

Camila Amado chegou a ser casada com Stepan Nercessian entre 1974 e 1987. Antes, havia sido casada até 1968, ano em que ficou viúva, com o jornalista Carlos Eduardo Martins, pai de seus dois filhos, Rafaela e Rodrigo.

Camila Amado e o teatro

Quando Miriam Mehler precisou deixar o elenco de A Lição, em 1958, a atriz foi convocada para substituí-la em seu papel no espetáculo. “Camila Amado, que estreou no teatro nessa peça, é uma das candidatas fortes ao prêmio de revelação de 1958”, destacou o Estadão na ocasião.

No fim da década de 1950, substituiu Vera Gertel na histórica montagem do Teatro de Arena para Eles Não Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri. Em 1967, viveu uma nordestina candidata a miss na parte referente a O Festival da Besteira que Assola o País, no espetáculo De Brecht a Stanislaw Ponte Preta, ao lado de Jaime Barcelos e Milton Carneiro.

Camila Amado também fez outros trabalhos de destaque, como A Vida Impressa em Dólar (1962), A Exceção e a Regra (1967), O Segredo do Velho Mundo (1972), Encontro no Bar (1973) e Dor de Amor (1978). Como autora, esteve à frente de Don Quixote de la Pança e O Banquete (1982).

Em 1998, Camila Amado ganhou o papel principal em Jardim das Cerejeiras, último drama escrito por Chekhov, sob direção de Cláudio Mamberti. Na peça, da qual também foi produtora, viveu Liuba, dona de uma propriedade rural que vai a leilão, sendo arrematada por um ex-servo. “Trata-se do conflito entre a preservação das belezas naturais e a necessidade de investimentos, entre o desenvolvimento tecnológico e o lugar do homem no mundo, conflito cada vez mais atual e sempre difícil de ser resolvido”, explicava ao Estadão.

Na sequência, refletia: “Uma verdadeira obra de arte transforma o ser humano e seu valor é imensurável; atingir mil pessoas significa benefício ampliado para 1 milhão”. No mesmo ano, subiu aos palcos no solo Eu e a Louca, de Ruiz Bellenda, com direção de Ariel Coelho, e em 1999 em Um Equilíbrio Delicado.

Camila Amado na TV

Presente em atrações televisivas desde jovem, no fim da década de 1950, a atriz ganhou mais destaque ao participar de algumas novelas como Um Gosto Amargo de Festa, exibida entre fevereiro e maio de 1969, na TV Tupi, e O Pulo do Gato (1978) e Sol de Verão (1982), na Globo. Mais recentemente, deu vida à personagem Tia Candoca no remake de Éramos Seis, exibido entre 2019 e 2020. Antes, esteve presente no elenco de Topíssima, da Record.

Camila Amado Fez também diversas participações menores em programas como Linha Direta, Você Decide, Brava Gente, Retrato Falado, A Grande Família, Pé na Cova, Sob Pressão e Sítio do Picapau Amarelo. No cinema, esteve em produções como Amélia (2000), Quem Tem Medo de Lobisomem (1973) e o documentário Abolição (1988).

Repercussão

Camila Amado também trabalhou durante muitos anos como professora de teatro e preparadora de atores.”Minha função é ajudar o ator a descobrir o seu potencial, e, quando isso ocorre, fico orgulhosa”, contava, em vida. A função rendeu diversas homenagens de colegas nas redes sociais.

“Minha mestra e de tantos colegas, Camila Amado nos deixou hoje, fisicamente, mas fica o seu legado de arte, integridade e liberdade”, escreveu Suzana Pires, que publicou um vídeo chorando pela morte.

Alinne Moraes destacou: “Minha mestra de tantos anos, me ensinou a ler um texto, me pegou pelas mãos e me transformou atriz. Meu eterno respeito e amor por você. Estará pra sempre comigo, rainha”.

Já Lucio Mauro Filho publicou um longo texto sobre sua relação com a veterana, a quem considerou como figura fundamental das artes cênicas no Brasil: “Feliz de um País que tem uma artista como Camila”.

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