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Cultura

Bolsonaro anula volta de chefe da Funarte

Mantovani entrou na Funarte na gestão de Ricardo Alvim, demitido da Cultura por manifestações de cunho nazista

Por Agência Estado

06 Maio 2020 às 08:00 • Última atualização 06 Maio 2020 às 10:26

Regina foi surpreendida com a renomeação de Mantovani, publicada no Diário Oficial de terça-feira - Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro tornou sem efeito o ato do chefe da Casa Civil, general Walter Braga Neto, que renomeou para a presidência da Funarte o maestro Dante Mantovani, afastado do cargo logo após a posse da nova secretária de Cultura, Regina Duarte. A decisão de Bolsonaro atendeu a pressões de dentro e de fora do Planalto.

Nesta quarta-feira, 6, está previsto um almoço entre Regina Duarte e Bolsonaro no Palácio do Planalto, para tentar amenizar o descontentamento de lado a lado.

O presidente está convencido de que Regina é muito suscetível ao setor, considerado “todo de esquerda”. Já a secretária se sente desprestigiada, sem poder algum e sem condições de montar a própria equipe.

Regina foi surpreendida com a renomeação de Mantovani, publicada no Diário Oficial de terça-feira. O ato foi entendido internamente no governo como uma sinalização de que o prazo da atriz na pasta está prestes a vencer.

Na secretaria de Cultura, o processo de “fritura” de Regina é tema recorrente entre os integrantes da pasta.

Em entrevista na porta do Alvorada, Bolsonaro já chegou a reclamar que queria Regina “mais próxima” e a pasta dela “tem muita gente de esquerda pregando ideologia de gênero, essas coisas todas que a sociedade (…) não admite”.

Depois de dizer que ela é “uma excelente pessoa”, criticou que “tem dificuldade nesse sentido”.

Mantovani entrou na Funarte na gestão de Ricardo Alvim, demitido da Cultura por manifestações de cunho nazista.

O maestro chocou o mundo artístico e a opinião pública ao declarar que “o rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa o aborto, que ativa o satanismo”.

Ao assumir, Regina Duarte tratou rapidamente de afastá-lo. Ela, porém, não consegue nomear seus preferidos para cargos de ponta da Cultura e, ainda por cima, tem sido obrigada a engolir nomes impostos pela chamada “ala ideológica” do governo, comandada pelos filhos do presidente.

Palmares

Um desses nomes é o de Sérgio Nascimento, negro que rejeita publicamente a existência de racismo no Brasil e já opinou publicamente que a escravidão foi positiva para os negros brasileiros. Regina tentou demiti-lo da Fundação Palmares, responsável pelas políticas dedicadas às artes negras. E não conseguiu.

Assim como o juiz Sérgio Moro abandonou 22 anos de magistratura para entrar no Ministério da Justiça do governo Bolsonaro, Regina Duarte abdicou de cinco décadas como estrela da Rede Globo para assumir a Secretaria de Cultura.

O padrinho de sua nomeação foi o general Luiz Eduardo Ramos, amigo de sua família, mas desde a posse ela sofre reveses e começou a ser criticada até em entrevistas por Bolsonaro.

Ao tornar sem efeito a recondução de Mantovani e convidá-la para almoço, o presidente dá demonstrações de que não pretende perdê-la no cargo, pelo menos não já. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.