Uma vida dedicada ao ballet

Décadas de história da modalidade de dança em Americana e interior passam pela trajetória de Dilma Lima Terranova


Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Dilma Lima, uma bailarina que dedicou toda a vida ao ensino dessa arte que encanta e desafia seus praticantes

O ano era 1952 quando a jovem bailarina Dilma Lima Terranova concorria a uma vaga para estudar com a rígida e consagrada professora de ballet polonesa Halina Biernacka, em São Paulo. Ao receber a nota do teste, um susto: recebeu 8 de um maestro que também fazia a seleção e 0 de Halina. Mas por quê? Foi a pergunta que ela fez à professora, que afirmou que Dilma tinha um problema na coluna que a impediria de ser uma grande bailarina, mas que poderia ser professora. E foi o que ocorreu. De seus 17 aos 28, a jovem conciliava as aulas que recebia da polonesa e as aulas que já ministrava a seus próprios alunos. E não parou por aí. No total, foram 61 anos dedicados ao ensino do ballet, sendo 28 destes em Americana, onde formou profissionais que ganharam destaque, parte delas com carreira no exterior.

A precocidade e o longo tempo de carreira explicam a saudade que Dilma demonstra logo no começo da entrevista, deixando um pouco de lado uma revista da Le Monde Diplomatique no sofá de seu apartamento. Hoje, aos 83 anos e há cinco aposentada, descansa pés, tornozelos e joelhos lendo sobre política nas horas vagas.

De Halina, uma das principais lembranças que carrega é a disciplina e perfeccionismo. “Era muito brava e queria as coisas perfeitas. Ela falou pra mim: ‘você tem que fazer música se você quer dar aula’. Então, eu comecei a fazer aula com um maestro. Eu fiz uns cinco anos de música”, lembra.

Aos 32 anos, mudou-se de São Paulo para o interior. Passou por Ribeirão Preto, São Carlos e Franca. Nestas duas, abriu duas escolas de dança. Aos 50, uma guinada na carreira: vendeu a única unidade que ainda administrava e foi aceita para atuar na Itália com mais dois artistas que conhecia. Às vésperas da viagem, no entanto, teve uma cegueira temporária. Estava nervosa por não saber falar a língua do País e acabou não embarcando. Seus colegas viajaram, se estabeleceram na Itália e a indicaram para atuar em Americana. “Fiz muitos espetáculos aqui. Fiz padedês de repertório, fiz conjuntos de repertório”, recorda Dilma.

Entre as bailarinas que ajudou a formar, está Camila Possenti, que depois foi estudar na escola russa do Bolshoi, em Joinville (SC) e atuou na Europa. Outras duas pupilas, Lígia Pinheiro e Débora Pinesi, deram aulas nos Estados Unidos. Também estão entre alunas que se destacaram Vanessa Chieus e Isabela Romano. “Sugavam da gente tudo que pudessem, porque elas amavam o ballet”, conta a velha professora.

Hoje, ficou não apenas a saudade, mas a sensação de dever cumprido. “Se eu tiver que voltar no dia que eu morrer, eu gostaria de ser professora de ballet de novo”, ressalta.

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