Pichação divide até artistas do grafite

Pintores apontam o caráter de depredação associado à prática e uma maior aceitação do grafite enquanto arte urbana


Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Paredes pichadas na região central de Americana ações do tipo tendem a diminuir em municípios com atuação de artistas do grafite

Se o grafite vem ganhando maior aceitação e caráter de arte pelas ruas das cidades da região e do mundo ao longo de sua história, a pichação segue como tema controverso, principalmente quando se dá em um contexto de depredação. É o que apontam grafiteiros da RPT (Região do Polo Têxtil) ouvidos pelo Liberal.

Aldo da Silva Barbosa, o Aldinho, que tem trabalhos espalhados por Sumaré, Nova Odessa e Campinas, lembra que grafite e pichação nasceram como uma forma de expressão. Para ele, para além da estética mais palatável que o primeiro tem em relação ao segundo estilo, o cerne é quando envolve ilegalidade.

“O grafite pode se dizer que foi uma evolução da pichação, porque muitos dos que fazem grafite hoje já foram pichadores. A pichação, quando entra num cunho de protesto em que ela deteriora algum patrimônio, ela é encarada como vandalismo. Mas se você fizer um grafite expressando seu sentimento em um lugar proibido, onde você possa estragar algum patrimônio, também é um vandalismo”, exemplifica.

Para o artista, o grafite já chegou a um outro patamar e ganhou aspecto de arte. “A gente pode ver em diversas galerias, pintores de rua, grafiteiros brasileiros em vários países. Está alcançando outro nível. O grafite está se tornando uma arte que está alcançando vários lugares e a pichação está ficando somente na questão de protesto mesmo”, avalia.

Já Alexsander “Vozinho”, que tem seu trabalho exposto por diversos locais de Santa Bárbara d’Oeste, explica nas oficinas gratuitas que realiza as diferenças entre os dois estilos de arte urbana. “Tem muitos municípios perto de nós que estão inteiros vandalizados, pichados. Então, quando eu passo nesses lugares, nós apagamos, fazemos os grafites e chama muito a atenção. A molecada de hoje, nas favelas onde eu vou, onde eu faço os grafites, eles começam a entender o que é grafite e o que é pichação, então passa um consentimento deles de zelar, cuidar do patrimônio que eles têm. Tanto que Santa Bárbara não tem muitos pichadores. Mas também já são 22 anos que eu trabalho aqui”, conta.

LEIS. Segundo a Legislação Penal, Lei de Crimes Ambientais e a Lei Federal 9.605/98, “pichar, grafitar ou por outro meio conspurcar (sujar) edificação ou monumento urbano” é crime e a pena é detenção de três meses a um ano, além de multa. Se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada, arqueológico ou histórico, a pena é de seis meses a um ano de detenção, e multa.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora