MoMA está maior e com novas propostas


O Museu de Arte Moderna (MoMA), que reabriu para o público na segunda-feira, 21, é 30% maior em tamanho e muito diferente na forma de exibir o que possui do que quatro meses atrás, quando fechou para se transformar, aos 90 anos de idade, quase que em um novo museu.

Com a expansão de 3.700 m², tem mais espaço para mostrar seu acervo e acomodar o público, que reclamava por ele estar sempre lotado. Já com a mudança na maneira de expor, em vez de o público ver a coleção subdividida em períodos, regiões e meios de expressão, de agora em diante vai vê-la em abordagens temáticas, interconexões e, espera-se, ser provocado a indagar mais sobre o que vê.

No lugar de textos acadêmicos sobre cubismo, dadaísmo, expressionismo alemão ou outras ramificações que brotaram nas artes visuais depois de meados do século 19, o público deve encontrar nas galerias textos curtos que focalizam a dimensão sociológica, política ou cultural em que as obras exibidas foram criadas. “Sem simplificar demais o conteúdo dos textos, tentamos fazer como se falássemos com um grupo de amigos interessados em arte, mas que não sabem muito sobre ela”, diz Glenn Lowry, diretor do museu. “Queremos que se entre numa sala e se comece a pensar sobre o que está ali.”

A nova proposta é “traçar uma estrutura para pensar e olhar, mas que permita ao público se sentir confiante em não saber a resposta”, diz o diretor. Para ele, o que faz a arte moderna e contemporânea empolgante é que os debates e discussões abordados ou provocados por ela ainda estão ocorrendo. “Muitas das questões e ideias das décadas de 1930 e 1940, por exemplo, que foram esquecidas nos anos 50 e 60, estão de volta e têm ressonância hoje”, comenta Lowry. “As questões são mais importantes que as respostas.”

Em seu papel pedagógico, o museu oferece outras camadas de informação sobre sua coleção fornecidas por educadores e no seu website.

A quem se intrigue diante de um trabalho como Rainforest V (variation 1), que inaugura o Studio, espaço dedicado a programações ao vivo e experimentais, o diretor afiança que “o prazer de ver arte moderna e contemporânea é o prazer de descobrir”. Criação do pioneiro em música eletrônica David Tudor, a instalação sonora e imersiva tem, entre outros objetos, tambor de petróleo, canos plásticos, barras de metal, disco rígido de computador antigo e alto-falantes que emitem sons de cada um deles. “Mas quando se entra nela, se descobre que é coreografada, orquestrada, que se liga aos anos 60, a Merce Cunningham, a dança, a movimento”, indica Lowry. “É possível para alguém que passe um pouco de tempo olhando o trabalho querer aprender mais para entendê-lo.”

Vitalidade

Com a ampliação que custou cerca de US$ 450 milhões, o MoMA poderá exibir cerca de 2.400 obras do seu acervo por ano, calcula o diretor do museu; antes exibia em média 1.500 itens. Pinturas, esculturas ou fotografias e vídeos compartilham espaço nas mesmas galerias, mas a disposição das obras do acervo mantém uma cronologia flexível. Esta percorre desde o início do modernismo, entre 1880 e 1940, no quinto andar, e desce para o quarto e o segundo pisos, até chegar a produções realizadas a partir da década de 1980. O terceiro andar, ao menos nesta temporada de reabertura, abriga exposições especiais.

Ann Temkin, chefe do Departamento de Pintura e Escultura do museu, explica que uma galeria pode ser dedicada a apenas um artista, uma disciplina específica, um lugar em determinado momento ou compartilhar ideias de criação. Essas apresentações são concebidas por equipes de curadores de todas as áreas ou níveis de antiguidade. Um programa de reinstalação frequente, com trocas a cada seis meses em média, vai mostrar obras de arte da coleção em novas combinações. “Mas os ícones como Starry Night, de Van Gogh, Water Lilies, de Monet, ou Demoiselles dAvignon, de Picasso, estarão lá”, garante Lowry.

Sob o tema “Paris 1920s”, a galeria onde se encontra o óleo sobre tela A Lua, da brasileira Tarsila do Amaral (leia texto abaixo), é apontada por Ann como um microcosmo da nova filosofia curatorial do MoMA. Todas as galerias do museu agora devem capturar a interconexão entre artistas de países e campos diferentes da mesma maneira como naquele espaço.

Ali estão pinturas, esculturas, fotografias e objetos de decoração criados naquela década pelo espanhol Pablo Picasso, pelo romeno Constantin Brancusi, pelos americanos Man Ray, Florence Henri, Gerald Murphy e Stuart Davis, pela irlandesa Eileen Gray e pela alemã Germaine Krull. Fernand Léger é o único francês de nascimento com obras exibidas em “Paris 1920s”; no entanto, todos se relacionaram e trabalharam na capital francesa nos anos depois da 1ª Guerra, quando a cidade recuperou sua posição de maior cruzamento de artistas vindos de todo o mundo.

“Juntá-los cem anos depois traz a vitalidade daquele momento”, diz Ann. Daqui seis meses, esta galeria pode dar lugar à arte produzida na Alemanha na década de 1920, segundo adianta a curadora. Obras que estão nela hoje podem passar para outra maior e mais multimídia ou serem recolhidas e substituídas. Outro objetivo do plano de curadoria para mostrar o que o MoMA possui no acervo é aumentar a representação de artistas mulheres, latinos, negros, asiáticos e de outras regiões do mundo, pois a maior parte dos trabalhos na coleção do museu nunca foi vista pelo público.

A arte brasileira tem destaque na reabertura do museu em esculturas, pinturas, fotografias, vídeos e publicações na exposição especial Sur Moderno: Journeys of Abstraction, no terceiro andar. Todas as obras que a compõem foram doadas ao MoMA pela colecionadora venezuelana Patricia Phelps de Cisneros. Com mais de cem itens, Sur Moderno faz um levantamento da arte abstrata e concreta da América Latina e mais da metade das obras que compõem a exposição são de artistas como Hélio Oiticica, Lygia Pape, Ivan Cardoso, Amílcar de Castro, Willys de Castro e Burle Marx.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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