Lançamento da Bienal no Sesc ganha tons políticos

Liberdade de expressão já é pauta entre secretários de Cultura da capital e interior


Críticas políticas deram o tom no lançamento da 11ª edição da Bienal Sesc de Dança, em Campinas, nesta quinta-feira. Enquanto Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc em São Paulo, apontou que há uma “espada de Dâmocles” colocando em risco gestores da cultura e educação, o secretário de Cultura de Campinas, Ney Carrasco, revelou que a busca por garantir liberdade de expressão já é pauta em discussão no Fórum Nacional de Secretários de Cultura, o qual preside.

As declarações vão de encontro ao pedido de demissão de Henrique Pires, que deixou o cargo de secretário nacional da Cultura alegando tentativas do governo Jair Bolsonaro (PSL) em impor censura em atividades culturais.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Danilo Santos de Miranda fala na apresentação da Bienal de Dança

“Nós do Sesc temos, não digo ameaças, mas perspectivas não sempre positivas com relação à gente por parte de quem opera o governo atualmente. Temos uma espada de Dâmocles na cabeça, podendo cortar alguma coisa, tentando cortar nossa cabeça”, apontou Danilo.

No entanto, Danilo afirmou que vai sempre prevalecer “um caráter mais humanitário, a cultura, a valorização do conhecimento”, e citou como méritos da Bienal a descentralização das apresentações, que vão ocorrer em diversos espaços e equipamentos públicos de Campinas, entre 12 e 22 de setembro. Também destacou a necessidade de parcerias, como as realizadas pelo Sesc com a Prefeitura de Campinas e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Outro ponto central apontado pelo diretor é a temática voltada a minorias e inclusão nas apresentações. “A invisibilização de corpos marginalizados, a gordofobia, a questão do deficiente, questão do racismo, tudo isso faz-se necessário”, completou.

EM PAUTA

Carrasco seguiu a linha de discurso e citou um encontro do Fórum Nacional de Secretários de Cultura realizado nos últimos dias em Belo Horizonte. “Pela primeira vez nos pusemos a debater questões de liberdade de expressão. Estou há sete anos na secretaria e mais uma carreira de 30 e poucos anos como artista e não tinha me deparado com essa questão desde a minha adolescência, na transição democrática do País”.

PROGRAMAÇÃO

A Bienal vai reunir cerca de 50 ações cênicas, entre espetáculos, instalações e performances vindas de oito estados brasileiros e de países como Alemanha, Argentina, Áustria, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Portugal, Suíça e Uruguai. A programação completa pode ser conferida em https://bienaldedanca.sescsp.org.br.

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