Galeria a céu aberto

Arte das ruas, grafite é usado para dar nova cara a áreas públicas da região e transformar realidades locais por meio de oficinas gratuitas


Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
O experiente grafiteiro Aldinho em obra idealizada e desenhada por ele na região central de Nova Odessa

Em um projeto realizado no ano passado, por meio de uma parceria entre prefeitura e a empresa Rumo Logística, um pontilhão localizado em Nova Odessa ganhou um colorido grafite com o desenho de um dragão, pintado pelo artista Aldo da Silva Barbosa, o Aldinho.

Durante o processo de criação, ele foi abordado por um garoto, que fez um questionamento: “Eu sei porque você fez um dragão. Porque aqui é o Jardim São Jorge. E São Jorge tem tudo a ver com dragão”, comentou a criança, apontando um significado que o próprio autor não tinha imaginado. Nascia ali um novo sentido para aquela arte, com participação de um membro da comunidade.

As obras de Aldinho e outros grafiteiros dão novas caras a cenários urbanos da região, em um trabalho de revitalização que ainda é complementado por trabalhos sociais desses artistas nestes bairros. “Acredito que o grafite desperta muita coisa em quem faz e quem vê. É uma forma de expressão da sua arte, o que sabe fazer. É uma galeria a céu aberto. E você também pode expressar ali seus sentimentos, sua revolta, seu agradecimento, sua homenagem”, define o artista.

Atualmente, ele participa do Projeto Fênix, desenvolvido pelo Fundo Social de Nova Odessa, atuando como arte-educador deste gênero de pintura junto a alunos de escolas estaduais. “É uma oportunidade para quem gosta do desenho, do grafite, e não pode fazer um curso”, afirma.

DUAS DÉCADAS. No caso de Alexsander “Vozinho”, já se foram 21 anos desde que fez seu primeiro grafite, na escola onde estudava, em Santa Bárbara d’Oeste, com apoio de comerciantes locais. Soma pinturas em espaços públicos como o CEU (Centro de Artes e Esportes Unificados) da cidade, na ponte da Fepasa e Parque dos Ipês.

Em uma das recentes, revitalizou uma parede do CEU usando um moinho, livros “voando” e a silhueta de Dom Quixote, personagem da obra mais emprestada na biblioteca local. “[A pintura de] cada porta do banheiro dá a sensação de que você está entrando em um livro”, explica.

Hoje tem sua atuação profissional com pinturas em motos, carros, desenho artístico e decoração, mas nunca deixou de lado a realização de workshops gratuitos pelas comunidades.

“As pessoas interagem com o grafite quando estão fazendo. Eu dou uma prévia rápida também, a pessoa assina, experimenta o spray. E quando sabem que tem grafiteiro em Santa Bárbara que faz isso, eles ficam até mais interessados em conhecer, trocam ideia. E as ideias vão fluindo. As pessoas vêm e falam que fazem projeto, e a gente vai conhecer, e levo meus projetos nas escolas. Estou sendo bem recebido em todos os lugares que eu vou”, celebra.

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