Estudantes homenageiam Debret no Jardim da Paz

Professor de história usou obra do pintor do século 19 para tratar da escravidão


Um corredor do Caic (Centro de Atendimento Integral à Criança) do Jardim da Paz, em Americana, foi transformado em uma galeria de arte com 55 quadros de um pintor que viveu no Brasil por alguns anos século no 19: Jean-Baptiste Debret.

A ideia da galeria de arte nasceu a partir das discussões do professor de história Juscelino Lino com os alunos dos oitavos anos (com faixa etária entre 13 e 14 anos) sobre escravidão no Brasil Colônia e a obra de Debret foi usada para contextualizar a época.

Foto: Marília Pierre / Prefeitura de Americana
Cerca de 120 alunos participaram do projeto escolar

Como os alunos ficaram curiosos com o pintor, o professor resolveu separá-los por grupos e iniciar um levantamento histórico. “Pesquisaram a história de Debret e sua obra. Depois compartilharam o conteúdo sobre a escravidão no Rio de Janeiro, no Brasil Colônia”, disse Lino. Segundo o professor, o resultado da pesquisa levou ao desejo de montar o projeto “História do Brasil Colonial Sob as Mãos de Debret”.

Durante dois meses, 120 alunos catalogaram dezenas de quadros do pintor. “Estava tão bonito o trabalho que dei a ideia da instalação de uma galeria de arte na escola. Eles se envolveram, adoraram a proposta e começamos a montar o cenário”, disse o professor.

Foram coladas molduras nas obras e os alunos iniciaram a montagem da galeria. “Fizeram a iluminação incidental com luzes vermelhas e azuis na galeria, cobriram a passagem com um tapete, e nas laterais das paredes, colocaram os quadros”, revelou. Por baixo do tapete, os alunos colocaram milho, feijão e pedrinhas. Na entrada da galeria, o visitante tem de tirar o sapato. Desta forma, quando ele passa descalço pelo tapete percebe a sensação de quando os escravos andavam pelo Rio de Janeiro.

Quanto tudo ficou pronto, os alunos do Caic foram convidados para ver a exposição, que está aberta desde a última sexta-feira.

“Saiu do cotidiano da aula normal. A pesquisa ficou muito interessante. Estudamos a história de uma maneira diferente”, afirmou a estudante Debora Hatz, de 13 anos. “Saímos da zona de conforto adquirindo mais conhecimento de uma maneira bem interessante. A exposição é uma maneira divertida de se aprender”, avaliou a aluna Raissa Marques, também de 13 anos.

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