Dubladores compartilham detalhes da profissão em evento de criatividade em SP

Se você tem curiosidade em conhecer as grandes vozes por trás das dublagens brasileiras, anote na agenda: no próximo fim…


Se você tem curiosidade em conhecer as grandes vozes por trás das dublagens brasileiras, anote na agenda: no próximo fim de semana, São Paulo recebe o maior festival de criatividade da América Latina, que contará com um painel sobre dublagem.

O Pixel Show ocorre anualmente na capital paulista desde 2005 e, nos dias 10 e 11 de novembro, ocupará o Espaço Pro Magno com uma programação repleta de atividades e palestras aos profissionais da indústria da arte e cultura. Para a palestra “Os Bastidores do Mundo de Dublagem”, três dubladores renomados comandam um bate-papo sobre a profissão e dividem experiências na área.

Cecília Lemes é a dubladora responsável pela voz de Chiquinha, uma das personagens principais da clássica série mexicana “Chaves”. Para ela, foi sua interpretação mais emblemática. “Dublo desde 1969 e sempre acho que o trabalho atual é o que mais gosto, até vir o próximo… A Chiquinha do ‘Chaves’ e os animes me tornaram mais conhecida e mais próxima dos fãs, e essa é a melhor parte do meu trabalho”, disse.

Aos 9 anos, quando trabalhava como atriz na TV Globo, Cecília dublou seu primeiro filme e tornou-se a primeira criança a dublar: “Naquele tempo, as personagens infantis e desenhos animados eram dublados por adultos”, explicou. Naquele momento nascia uma paixão pela profissão que exerce há quase 50 anos.

Com Wellington Lima foi um pouco diferente: começou a dublar de fato aos 28 anos, mas o interesse surgiu 10 anos antes. Entre os diversos trabalhos em séries, filmes e desenhos animados, dois se destacam: os personagens Stewie, de “A Família da Pesada”, e Majin Boo, de “Dragon Ball”.

Ele garante que há diferenças entre os tipos de dublagem: “As séries e novelas são trabalhos com continuidade, você tem mais tempo de conhecer o personagem. Um longa é chegar, fazer e acabou”. A diversão fica por conta dos desenhos animados: “É uma farra, você pode brincar mais, fazer voz caricata”.

Por fim, o terceiro participante que falará sobre o tema é Wendel Bezerra, conhecido por dar voz ao personagem Bob Esponja e a Buddy Valastro, confeiteiro do programa “Cake Boss”.

Outros destaques que se tornaram favoritos do dublador foram os personagens Goku, da série “Dragon Ball”, e o Jackie Chan em sua série televisiva.

Como contribuição à área, Wendel e seu irmão fundaram a Universidade de Dublagem, que oferece cursos profissionalizantes especializados em gerar novos talentos. “Como diretor de dublagem, eu tinha dificuldade em variar o elenco”, revela.

Como uma das exigências para ser dublador é ser ator, as aulas vão muito além da atuação em si. “Eu explicava um pouco sobre o mercado, como ele funciona, determinadas nuances da interpretação, e também passava o caminho para se fazer uma boa dublagem, tanto tecnicamente, quanto artisticamente”, disse.

De acordo com os dubladores, para se tornar um bom profissional na área é preciso ser empenhado e persistente para conquistar o próprio espaço. “É como tocar violão: você vai conseguir formar vários violonistas, mas nem todos vão ser o Toquinho”, comparou Wendel, levantando a importância da aptidão nata para o sucesso.

Cecília, orem. acredita que o mercado esteja passando por um momento de abertura, o que pode ser muito vantajoso para novos profissionais: “Além das outras mídias, as TVs importam muito conteúdo e a dublagem vem crescendo bastante”, completa.

Serviço

14ª edição do Festival Internacional de Criatividade Pixel Show

Data: 10 e 11 de novembro, das 8h às 22h

Local: Espaço Pro Magno – Av. Professora Ida Kolb, 513 – Jardim das Laranjeiras, São Paulo/SP

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