Artistas selecionados para Salão do Humor acumulam premiações

Artistas da região utilizam diferentes técnicas, matérias-primas e pontos de partida para materializar suas ideias


Enquanto Robinson olha para uma sucata e enxerga curvas que podem dar origem à escultura de uma personalidade, Edmilson estuda a personalidade daquele que resolveu caricaturar antes de sua criação e a finaliza digitalmente. Já Carlos produz tanto em larga escala, em praça pública, quanto para já conhecidos festivais.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Robinson José da Silva com escultura do músico Carlinhos Brown que fez a partir de uma peça de carro

Em comum entre eles, além da atuação artística, realizada a partir de diferentes técnicas, está o fato de que são moradores da RPT (Região do Polo Têxtil) que foram selecionados para a edição deste ano do Salão Internacional do Humor de Piracicaba, cuja exposição e anúncio dos premiados terá início no dia 25 de agosto.

Morador de Sumaré, o artista plástico Robinson José da Silva já “viu” os cabelos dreads do cantor Carlinhos Brown na peça de um VW Gol geração 5 chamada catalisador. “Eu só dei uma pintada e pus um óculos”, conta, sobre a escultura que fez a partir dela. “Na verdade, o artista é inquieto. Ele procura fazer uma leitura, uma nova linguagem”, reflete.

Para uma obra retratando o jornalista Marcelo Tas materializou a piada “cabeça de ovo”. “Usei três objetos, um caninho de PVC, um óculos e um ovo de avestruz”, detalha. Já a partir de um amassador de batatas que quebrou durante um evento do qual participava em uma ONG fez uma escultura do sambista Cartola. Ele conta que na edição deste ano do salão foi selecionado com esculturas de Ray Charles e Osho.

AUXÍLIO DIGITAL. Edmilson Avancine, de Americana, explica que hoje utiliza técnicas digitais para conseguir agilizar o processo de criação, mas que nada substituir o prazer de desenhar à mão.

“Quando elaboro os trabalhos tento, além da distorção que a caricatura exige, pesquisar sobre a personalidade do caricaturado para acrescentar mais detalhes além da distorção. O [filósofo Mario Sergio] Cortella, por exemplo, como é escritor e faz muitas palestras, fiz seu paletó como se fosse um livro aberto e a capa com a mão dele segurando o microfone. Não fiz o corpo, somente o rosto. A barba faz uma ‘barriga’ dentro do terno e a outra mão sai de dentro da barba”, detalha ele, sobre uma das obras que enviou para o Salão de Piracicaba, junto a umado cineasta Woody Allen. Atualmente, Edmilson desenha no papel e finaliza utilizando técnica digital.

Já Carlos Duarte, também morador de Sumaré, que trouxe seu talento do Nordeste, onde já deu aula de humor gráfico, também traz para o salão o conhecimento das ruas.

“Eu trabalho fazendo caricaturas ao vivo em eventos em geral e faço caricaturas ao vivo na praça no Centro de Sumaré, acompanhado a feira de artesanato, que acontece no segundo sábado do mês”, conta o caricaturista.

Obras chegaram a cruzar o Atlântico

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Artista teve sua primeira participação no Salão de Piracicaba em 2006 e também expôs em evento de Portugal

Com participações em outras mostras pelo País e obras atravessando o Oceano Atlântico para eventos na Europa, artistas da região terão novas caricaturas expostas neste ano no Salão do Humor de Piracicaba, que começa no dia 25 de agosto.

Natural de São Mateus, no Maranhão, e após viver em Belém do Pará, onde participou de exposições, trabalhou como chargista em jornal e instrutor de desenho de humor gráfico, Carlos Duarte teve sua primeira obra selecionada no Salão de Piracicaba em 2009.

A participação deste ano é a sexta. “Esse é um dos salões de humor gráfico mais difíceis de você entrar, porque lá não é à toa que o salão é internacional, ou seja, é o mundo todo querendo estar lá, com os seus melhores caricaturas, chargistas, cartunistas. Para mim é um privilégio grande estar no meio dessas feras do humor”, celebra Duarte.

Entre outros reconhecimentos, ele já foi premiado três vezes no Salão de Humor de Mogi Guaçu com caricaturas da musicista Nina Simone, da apresentadora Sandra Annenberg e de Salvador Dalí. “Eu desenho desde criança, mas profissionalmente desde 2001, fazendo charges, cartum e caricaturas”, conta.

De Americana, Edmilson Avancine também não é estreante no evento piracicabano. “A primeira participação em Pira foi em 2006, com um cartum. ‘No alvo’ era o nome da obra. O tema era livre”, recorda. Contando com a participação desse ano, também totaliza seis, assim como Duarte.

Ele também já teve obras expostas três vezes no Porto Cartoon, além de eventos em Campinas, Porto Alegre, Americana e Paraguaçu Paulista.

‘O OSCAR DO CINEMA’. Já Robinson José da Silva acumula três vezes premiações em Piracicaba. “É como se fosse o Oscar do cinema. Tanto é que a primeira vez que eu ganhei eu não tinha noção da proporção do salão (…) Conheci Ziraldo, Caruso, Carlos

Saldanha. É uma coisa muito bonita. É bem disputado o salão. É magnífico”, afirma ele, que também soma no currículo participação no Porto Cartoon, em Portugal, intervenção artística na Avenida Paulista durante programa de televisão, entre outros eventos.

“O meu propósito hoje não é ganhar o salão, mas desafiar a mim mesmo. A obra dá o resultado final. A obra que cria o caminho dela”, reflete Robinson.

Mostra desse ano teve 2,6 mil trabalho inscritos

Foto: Rafael Bitencourt
O salão conta com dois júris, um de seleção para a exposição e outro, de premiação aos melhores

Um dos mais tradicionais salões realizados no mundo, a mostra piracicabana contabilizou este ano 2.638 trabalhos recebidos, enviados por 460 artistas, de 53 países entre Brasil, Austrália, Bélgica, Colômbia, China, Egito, Irã, Turquia e outros. O Salão é realizado ininterruptamente desde 1974.

O salão conta com dois júris, um de seleção para a exposição e outro, de premiação aos melhores. Os jurados de premiação se reunirão no dia 18 de agosto para contemplar as obras selecionadas. A entrega dos prêmios será realizada no dia 25 de agosto, às 19h30, no Teatro Erotides de Campos, Engenho Central, data da abertura do evento.

Para a secretária da Ação Cultural e Turismo de Piracicaba, Rosângela Camolese, os júris têm uma das principais missões do Salão que é escolher os melhores trabalhos para a mostra e também, para a premiação. “São obras grandiosas em talento, linguagem e reflexão a serem selecionadas”, comentou Camolese, explicando que a edição deste ano é especial. “São 45 anos ininterruptos de Salão, e em homenagem ao primeiro artista premiado, trouxemos uma releitura da arte de 1974, assinada pela cartunista vencedora, Laerte Coutinho”.

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