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Televisão

Aposta religiosa na reta final

Mesmo sem ser uma novela bíblica, “Amor Sem Igual” se encerra apostando na salvação pela fé

Por Tv Press

15 jan 2021 às 21:26

Seja na trama principal ou nos núcleos paralelos, “Amor Sem Igual” mexeu com feridas duras da sociedade - Foto: Divulgação

Prestes a se encerrar, “Amor Sem Igual” ocupa um posto de destaque na teledramaturgia nacional atualmente. Afinal, é a única novela com capítulos inéditos sendo exibidos. Além disso, é também mais uma aposta da Record em tramas contemporâneas e fora do gênero bíblico, que virou uma espécie de marca do canal.

O que, no entanto, não significa que a novela, que se encerra no próximo dia 18, esteja tão distante assim do público evangélico que a emissora cativou. Ao contrário: é justamente pela fé que quase todos os personagens com trajetórias condenáveis – mas que não faziam parte do grupo de vilãos – estão se salvando. Inclusive a personagem principal do folhetim, a ex-prostituta de beira de estrada Poderosa, papel de Day Mesquita.

As cenas foram todas gravadas antes da segunda fase de “Amor Sem Igual” estrear, no dia 28 de outubro. Nesse retorno, muitas coisas aconteceram, garantindo boa agilidade à história escrita por Cristianne Fridman. Ação, aliás, não falta, com muitas brigas, perseguições policiais e conflitos entre os heróis e os vilões. Ponto para autora, que conseguiu fugir de sequências rasas.

Na verdade, só mesmo quando o assunto é a fé que algumas barrigas aparecem. Não que abordar a religião de alguns personagens empobreça a trama, não se trata disso. O problema é que justamente por não querer explicitar tanto, em alguns momentos, o viés cristão, a novela ganha sequências que parecem sem sentido.

Em diversos momentos, a fé do mocinho Miguel, interpretado por Rafael Sardão, é mencionada. O rapaz chegou a dizer que foi Deus quem lhe pediu que salvar Poderosa e até presenteou a amada com a “Bíblia”. Mas essa ligação do agricultor com a religião nunca chega a ser, de fato, explorada. E isso gera certo estranhamento cada vez que ela é inserida, sem muito contexto, em alguns capítulos.

Outro ponto que destoa da maior parte dos folhetins é que Miguel e Angélica – é esse o nome de batismo da garota de programa ruiva – não chegaram a viver um romance. Os dois estavam sempre a ponto de deixar o amor que sentem se consolidar, mas a carreira da moça como profissional do sexo e, posteriormente, seu plano de vingança contra o pai, Ramiro, vivido por Juan Alba, acabavam atrasando essa união.

Seja na trama principal ou nos núcleos paralelos, “Amor Sem Igual” mexeu com feridas duras da sociedade. Temas como a violência doméstica, por exemplo, entraram em pauta, a partir do drama vivido pela doce Yara, personagem de Yara Jamra, que apanhou do marido Ernani, interpretado por Paulo Reis.

Ainda na primeira leva de capítulos, Maria Antônia, papel de Michelle Batista, sofreu um estupro no qual perdeu a virgindade. Nos episódios mais recentes, a sofrida Cindy, vivida por Juliana Lohmann, confessou ter sido expulsa de casa depois que um namorado da própria mãe a assediou e chegou a ser vendida como escrava sexual. Até o roubo de órgãos humanos entrou em debate, quando Ramiro roubou um rim de Peppe, interpretado por Matheus Costa.

Vice-liderança
Cheia de tintas fortes e única novela com capítulos inéditos, “Amor Sem Igual” chega ao fim nos próximos dias garantindo a vice-liderança na audiência para a Record. Na maior parte dos dias, marca sempre médias entre oito e dez pontos.

Não chega a ser um grande sucesso, mas basta olhar para as últimas novelas contemporâneas da Record para perceber que se trata, sim, de um grande feito. “Vitória”, exibida entre 2014 e 2015, conquistou média geral de 5,6 pontos, enquanto “Topíssima”, em 2019, se encerrou com oito pontos. Curiosamente, ambas também assinadas por Fridman.

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