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Cultura

Amparada no conflito entre pai e filho, saga trágica de Pedro Dom chega ao fim na 3ª temporada de ‘Dom’

Apesar de desnecessárias e um tanto forçadas, o trabalho de prolongar a trama e buscar novos atrativos para “Dom” ganhar mais duas temporadas é digno de nota

Por Geraldo Bessa - TV Press

17 de junho de 2024, às 14h32

Primeira série brasileira do Prime Video, o lançamento de “Dom”, em 2021, superou todas as expectativas do serviço de streaming, fazendo sucesso não apenas entre os assinantes brasileiros, mas também ao redor do mundo. Ambientada no Rio de Janeiro e inspirada em fatos reais, a série conta a história de Pedro Machado Lomba Neto, mais conhecido pela alcunha de Pedro Dom, jovem de classe média que se tornou usuário de drogas bem cedo e acabou virando o líder de uma quadrilha dedicada a assaltar edifícios de luxo.

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Mesmo muito regional e com forte apelo para o público local, já que boa parte da vida do assaltante foi televisionada e ganhou o destaque dos cadernos policiais, a série se valeu de uma construção recheada emoção e reviravoltas para entrelaçar o destino de Pedro e seu pai, Victor, papéis de Gabriel Leone e Flávio Tolezani, respectivamente. Prevista para ser uma minissérie, o êxito do projeto acabou transformando “Dom” em uma série, que chega ao fim com a recém-lançada terceira temporada.

Produzida pela Conspiração Filmes e idealizada pelo saudoso Breno Silveira, que faleceu em 2022, durante os trabalhos do segundo ano da série, o mergulho na relação entre pai e filho de “Dom” tem a assinatura do diretor ao ir além do óbvio. Responsável por filmes como “Dois Filhos de Francisco” e “Gonzaga – De Pai Pra Filho”, Breno sabe muito bem construir conflitos geracionais e gerenciar realidade e ficção em histórias inspiradas em fatos reais.

Baseada no romance “Dom”, de Tony Bellotto, e no livro biográfico “O Beijo da Bruxa”, escrito por Luiz Victor Lomba, pai do verdadeiro Dom, a série se utilizou do passado obscuro e violento de Victor, que integrou um grupo conhecido como esquadrão da morte, força parapolicial que deu origem às milícias no Rio de Janeiro ainda nos anos 1960, para dar estofo e profundidade à produção. Entre a caricatura do monstro e a força do pai-herói, a trajetória de Victor é fundamental para contar a história de Pedro e seus problemas com regras, limites e consequências. E depois de tantas idas e vindas, uma possível reconciliação entre os dois é o foco dos cinco derradeiros episódios da série.

Apesar de desnecessárias e um tanto forçadas, o trabalho de prolongar a trama e buscar novos atrativos para “Dom” ganhar mais duas temporadas é digno de nota. Na segunda temporada, a série desloca sua ambientação para o Norte do país e foca em boas cenas de ação para mostrar o jogo de gato e rato entre Pedro e a polícia. Agora, a trama mostra o cotidiano do assaltante na Rocinha e reconta, mais uma vez, só que agora de forma mais lenta, o final trágico e amplamente exibido pelos telejornais, em setembro de 2005.

Na terceira temporada, os diretores Vellas e Adrian Teijido apostam na continuidade da estética quente e carioca, adotada por Breno Silveira, que se tornou o cartão de visitas da produção. Porém, também flerta com o formato de documentário, o que entrega charme e aproxima o espectador do final de uma saga melancólica, sanguinolenta, nada heroica, mas que entretém e impressiona.

“Dom” – Prime Video – três temporadas disponíveis.

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