Álvaro Real vai montar musicais de baixo custo, com estreia no Masp


Aos 31 anos, Álvaro Real desenvolve uma carreira original. Como publicitário, tornou-se um prodígio, destacando-se na criação de campanhas e na gestão de negócios em multinacionais e agências. Como ator de musicais, tornou-se um grande conhecedor do gênero, dentro e fora do palco. Foi com essa gama de conhecimentos que ele decidiu unir-se com Rodrigo Rivellino, empresário da área de comunicação, para fundar a Bravart Entretenimento, produtora de peças teatrais que foca basicamente nos espetáculos de médio e pequeno portes.

“Nossa inspiração são as peças Off-Broadway e Off-Off Broadway, que são criadas para teatros com até 499 lugares”, conta Álvaro. “Não são apenas os grandes musicais que oferecem um excelente espetáculo e é nessa área que queremos atuar.”

Com uma voz que se coloca entre o barítono e o tenor, Álvaro Real acompanha a consolidação de grandes espetáculos musicais no Brasil desde 2001, com a estreia de Les Misérables. Desde então, formou-se uma infinidade de profissionais brasileiros de gabarito para trabalhar tanto dentro como fora do palco. “A vinda de profissionais estrangeiros para orientar determinadas montagens também contribuiu para o nosso conhecimento artístico”, acredita ele, que teve a ideia ao fazer diversas viagens a Nova York.

Assim, ao lado de Rodrigo Rivellino, desenvolveu o Circuito Off Sampa&Rio, selo que pretende promover uma agenda cultural inédita nas duas capitais a partir de uma série de princípios. Como bom empreendedor, Álvaro buscou primeiro ampliar o cardápio de espetáculos que já dispõem Rio e São Paulo. Dessa forma, estipulou que as montagens do selo acontecerão de segunda a quinta-feira e terão em média 1h30 de duração, sem intervalos. “Há uma carência desse tipo de programa no Brasil.”

Outro fator importante é a possibilidade de um grande público poder desfrutar dos espetáculos – assim, as peças terão ingressos vendidos a um preço médio de R$ 40 e as salas de espetáculo necessitarão ter fácil acesso, especialmente de transporte público.

Isso norteou a definição do programa que vai estrear o selo. “Para estrear o Circuito Off, escolhemos o musical Tick, Tick… Boom! por ser um legítimo Off-Broadway, ou seja, um elenco pequeno (apenas três personagens) e uma temática universal”, observa Álvaro, que não consegue esconder um componente pessoal – sua trajetória se assemelha à de Jon, o protagonista.

O título Tick, Tick… Boom! faz referência ao som emitido pelo relógio, que marca o indestrutível passar do tempo. Perto de completar 30 anos, Jon é uma eterna promessa do teatro musical americano e, às vésperas de estrear seu primeiro espetáculo (Superbia), ele enfrenta a pressão da namorada Susan, que prefere se mudar de Nova York para um lugar mais sossegado, e do amigo Michael, disposto a convencê-lo a trocar tudo pela lucrativa carreira da publicidade.

“Jon é um papel com o qual me afeiçoei muito”, conta o ator que, anos atrás, próximo dos 30 anos, decidiu abandonar a bem sucedida profissão de publicitário para se aventurar no teatro musical. Agora, como produtor, inicia a trajetória com um texto de Jonathan Larson (1960-1996), compositor e escritor que morreu justamente no dia da estreia de seu trabalho mais conhecido, Rent.

Tick, Tick… Boom! deve estrear em junho de 2016, no auditório do Masp. O local foi definido por Álvaro como uma pequena joia: boa capacidade (374 lugares fixos), arquitetonicamente belo e de fácil acesso. “Um espaço encantador, que eu não conhecia”, disse ele, que já deixou pré-agendada uma temporada de até seis meses. “A ideia é manter um espetáculo durante um semestre em São Paulo e emendar outros três meses no Rio”, conta Álvaro, que já negocia com espaços cariocas – um deles é a Casa de Cultura Laura Alvim, no bairro de Ipanema.

Para que o projeto não nasça com apenas um espetáculo pautado, a produtora já comprou os direitos de I Love You, You are Perfect, Now Change, de Joe DiPietro (libreto) e Jimmy Roberts (música), um dos grandes sucessos da Broadway – com suas mais de 4.500 performances desde a estreia em 1996, já ultrapassou clássicos como My Fair Lady, Annie, O Homem de La Mancha e Um Violinista no Telhado.

Trata-se de um olhar afetuoso sobre o amor e o casamento, e salpicado por um humor que a crítica americana lhe concedeu o título de “Seinfeld com música”. Álvaro conta que já negocia um terceiro musical para o repertório da produtora, previsto para 2017.

Também espetáculos nacionais inéditos estão na mira. “Os outros pilares do nosso trabalho são formação profissional e artística com conteúdo brasileiro”, observa Álvaro, que já montou uma equipe criativa formada por grandes profissionais, como o diretor Fred Hanson, os versionistas Bianca Tadini e Luciano Andrey, o diretor musical Daniel Rocha. “Vamos incentivar novos criadores.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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