Alunos do Sesi desenvolvem projeto para desvendar crime

Realizado em parceria com o artista Leonardo Smania, projeto gera painéis com críticas sociais e desafio no qual público tem de desvendar crime


Na portaria do Sesi Americana, demonstrando a mesma empolgação que seus demais colegas, quem recebe a reportagem é Nicole Zaia, de 17 anos, que integra o grupo de 32 estudantes que, a poucos metros dali, em um pátio, pintam oito painéis de madeirite com grafite. “Cada grupo tem uma tela. A minha é aquela ali do olho. Depois, a gente vai desvendar um crime”, explica ela.

Foto: João Carlos Nascimento/O LIberal
O artísta plástico Leonardo Smania orienta alunos em projeto que será aberto ao público neste final de semana

Atentos, os alunos trabalham em desenhos que falam de preconceito racial, homofobia e desigualdade social. E como Nicole adiantou, o projeto “Beco da Verdade”, que será exposto na unidade neste sábado, a partir das 10h, também desafia o público a desvendar um crime fictício a partir de pistas deixadas em parte das telas.

A iniciativa envolve alunos do 2º ano do Ensino Médio e integra as áreas de Linguagens e Ciências da Natureza, com o estudo de técnicas forenses. Em meio às mãos ocupadas, duas que costumam trazer mais cor ao cenário urbano de Americana. O artista plástico Leonardo Smania Donanzan foi convidado para dar orientações na realização das pinturas. “Mantém eles [estudantes] mais integrados com o cotidiano da cidade, ajuda a trabalhar um pouco mais de cidadania nesse sentido, trabalhar a arte, o grafite, que é uma arte urbana. O principal seria isso, de instigar o pensamento reflexivo”, analisa o grafiteiro.

O trabalho artístico também contou com a mediação da professora Marcela Saraiva Ramos. “Assistimos vídeos, pesquisamos, compartilhamos em sala de aula toda essa parte da técnica do grafite, do contexto do grafite, e aí o Smania veio para contribuir sobre esse cotidiano de quem faz essa arte”, explica a educadora. Já a orientação científica foi da professora Paola Fernanda Guidi Meneghin de Oliveira.

“Inicialmente, eles tiveram que estudar as técnicas forenses da Biologia, da Física e da Química. E aí, a partir disso, eles elaboraram um roteiro de crime que envolvesse investigação criminal forense”, revela ela. Teste de DNA e perícias humana e veterinária estão entre as técnicas estudadas.

O desafio ao desvendamento do crime envolve dois painéis. Outros seis tratam de temas sociais. O grupo de Maria Julia Gomez, de 16 anos, desenhou um personagem caminhando com o corpo curvado, devido ao peso de uma mochila nas costas e, ao fundo, a bandeira LGBT. “A bolsa retrata realmente o peso que o LGBT tem que carregar nas costas dele, de se encaixar no padrão que a sociedade coloca”, aponta a aluna.

Já o painel do grupo de Ennos Andrade, de 17, mostra diversos tipos de cabelos. “Há muito preconceito com os cabelos afro, então a gente utilizou muitos cabelos afros, e outras cores também, porque as pessoas também tem preconceitos com a cor, verde, azul”, detalhou. Crítica ao capitalismo e à violência contra a mulher também foram assuntos abordados. “Esse projeto dos eixos integradores é tornar o aluno protagonista. A partir do momento que o aluno percebe isso a aprendizagem se torna significativa”, aponta o coordenador pedagógico Gilmar Francisco Mantovanelli.

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