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Artigos de leitores

Vou-me embora pra Pasárgada

Por Katya Forti

05 jun 2020 às 08:16

Em tempos ora vividos onde muitas vezes as palavras faltam, vamos buscar alento na alma dos poetas, que deixaram seu legado para infindas gerações.

Dentre outros tantos, que felizmente até hoje dedicam-se ao admirável ofício de “não deixar a letra morrer”, pululam os estilos literários.

Oferecendo ao leitor faminto e sedento, por algo que lhe abasteça o mundo íntimo, farto banquete, neste sentido.

O título do artigo é poema de Manuel Bandeira. Escrito há mais de 80 anos. E segue atual.

Com notável senso de humor, além de uma fuga – por assim dizer – revela ainda o desejo de que os tormentos sejam breves e que a felicidade perdure.

“Vou-me embora pra Pasárgada
lá sou amigo do rei
lá tenho a mulher que eu quero na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
lá a existência é uma aventura
… E como farei ginástica
andarei de bicicleta
montarei em burro brabo
subirei no pau-de-sebo
tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado deito na beira do rio
mando chamar a mãe d’agua
pra me contar as histórias
que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada…”

E das memórias felizes, resgato outro poema: MEUS OITO ANOS, de Casimiro de Abreu.

“Oh! Que saudades que tenho
da aurora da minha vida
da minha infância querida que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras
debaixo dos laranjais.
…. Oh! dias da minha infância!
Oh meu céu de primavera
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã! Em vez das mágoas de agora
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

*Katya Forti é escritora

Colaboração

Artigos de opinião enviados pelos leitores do LIBERAL. Para colaborar, envie os textos, com 1.800 caracteres (já contando os espaços), para o e-mail opiniao@liberal.com.br.