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Um ano da renúncia de Dom Vilson

“As acusações que pesam sobre Dom Vilson não são poucas e são graves”, escreve José Eduardo Milani, um dos denunciantes

Por José Eduardo Milani

24 Maio 2020 às 09:06 • Última atualização 24 Maio 2020 às 09:27

Na última semana completamos um ano da renúncia do bispo de Limeira, Dom Vilson Dias de Oliveira. Após ser alvo de investigação por supostos crimes de acobertamento de pedofilia, enriquecimento ilícito, extorsão e organização de esquemas de corrupção dentro da Igreja Católica, Dom Vilson foi obrigado a renunciar a seu cargo.

As acusações que pesam sobre Dom Vilson não são poucas e são graves. Vieram tanto de leigos como de padres com quem conversei nos últimos anos (e foram corroboradas com as provas expostas em mídia nacional acerca do vasto e não declarado patrimônio imobiliário do bispo). E as conversas sempre terminavam com “tome muito cuidado!”. Não era pequeno o sentimento de decepção e o abalo de minha própria fé ao me deparar com tanta sujeira.

O pivô da queda de Dom Vilson, todos sabem, é o ex-reitor da basílica de Americana, padre Pedro Leandro Ricardo, que caiu e consigo arrastou Dom Vilson – por opção própria, já que ele fora avisado das condutas do padre e mesmo assim não se afastou dele e muito menos o puniu. Pudera… O sentimento de poder e impunidade era tamanho que inflou os egos desses protagonistas da corrupção eclesiástica a níveis estratosféricos.

Um ano depois, o novo bispo, Dom José Roberto Palau administra com uma missão complicada e grande responsabilidade: resgatar a credibilidade da igreja de Limeira. Uma das consequências direta de toda essa sujeira escancarada em rede nacional fora a diminuição da arrecadação de dízimos e doações nas paróquias. E isso muito antes da pandemia que ora também afeta os cofres católicos.

O que queremos é o simples: uma igreja idônea e sem corrupção. Um lugar onde os fiéis encontrem Deus e não “esquemas” e desrespeitos. Agora nos resta o trabalho de retorno à reconquista de tantos que deixaram a Igreja nesse caminho.

José Eduardo Milani é produtor audiovisual e um dos denunciantes

Colaboração

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