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Alessandra Olivato

Simples, mas complexo

Por Alessandra Olivato

05 de maio de 2022, às 16h59 • Última atualização em 06 de maio de 2022, às 09h01

Como um traço de pensamento refletido no estilo da escrita, tenho afirmado de diferentes maneiras que raramente acredito existir um lado em uma dada situação qualquer que detenha cem por cento da razão, até porque as subjetividades humanas permitem um mínimo de legitimidade ao ponto-de-vista de praticamente todos nós. Daí a busca incessante de buscar e mostrar dois lados, quando não três, quatro ou mais sobre diferentes questões.

Nesse sentido, pessoas boas podem fazer coisas ruins enquanto pessoas não tão boas (ruins?) podem ter boas atitudes. Pessoas inteligentes também dizem asneiras às vezes, mesmo que não na maior parte do tempo, enquanto pessoas menos inteligentes ou cultas podem, por vezes, dizer coisas assertivas e corretas. Pessoas bem intencionadas também cometem pequenas maldades, enquanto pessoas inescrupulosas na maior parte do tempo podem, em algum lapso de empatia, ter um gesto de bondade.

Ok, isso é um saco pois torna as relações humanas e o mundo bem mais complexo do que aquele mundo divido simplesmente entre bem e mal ingenuamente defendido por alguns. Mas é assim que é, e é nossa árdua tarefa saber discernir quando o bom está equivocadamente se portando mal, bem como reconhecer o lapso de bondade ou de esclarecimento no mau e no “ignorante”. Se acertada essa linha de pensamento, então não existem pessoas boas e más, inteligentes ou burras, melhor seria dizer “predominantemente” bons ou “predominantemente” inteligentes ou “limitados”.

Tenho a duras penas tentando observar o mundo e me relacionar com ele a partir dessa perspectiva, bem ancorada, diga-se de passagem, na minha concepção de que somos antes animais do que humanos. Nobres sentimentos, instintos primitivos. Não é infalível, mas ajuda a ter menos ilusões. Essa hipótese pode ser aplicada a muita coisa, como emblematicamente, para observar a política. Penso que os ainda ingênuos que acreditam existirem apenas “políticos bons” e “políticos ruins”, estão entre os mais vulneráveis às ilusões das retóricos de candidatos, marketing eleitoreiro e com as próprias infindáveis – e repetitivas – cenas do jogo político.

Nos primeiros dias da guerra da Ucrânia um comentarista de um telejornal nacional lembrou muito bem uma das maiores premissas da teoria política: não existem nações amigas, existem interesses entre nações. Podemos aplicar a mesma premissa aos políticos individualmente. De fato e em última instância, podemos aplicar ao ser humano no geral. Peço desculpas pela falta momentânea de romantismo. Vou tirar umas férias ali e já volto, deve ajudar! Nos vemos em breve.

Alessandra Olivato

Mestre em Sociologia, Alessandra Olivato aborda filosofias do cotidiano a partir de temas como política, gênero, espiritualidade, eventos da cidade e do País.