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Será que somos mesmo maricas?

Por Oswaldo Vicentin

19 nov 2020 às 08:45

A dona Maria tem que ir ao mercado com máscara, mas, diz que não suporta mais. O “Seu” Chico tem que levantar cedo para trabalhar na feira. Para isso lambuza as mãos de gel e usa máscara. “Tô cansado dessa inhaca”, diz ele. O Zezinho sãopaulino, o Tico corintiano e o Vardinho palmeirense reclamam todos momentos. Porque querem ver a bola rolar no campo.

E até meu amigo Zé Esquina que adora uma caninha diz: “Tomo qualquer coisa para tirar esta máscara e este gel”. Toda essa gente esperando a liberação da vacina. E isso mesmo! E depois de tantas mortes, hospitais lotados, gente presa dentro de casa. Toda essa gente chamada de “maricas”? Por Jair Bolsonaro? E por quê?

É bom saber de que a Anvisa tendo tomado conhecimento há 30 dias da morte de um voluntário da vacina só resolveu agir inesperadamente e suspender as atividades do Instituto Butantan. E isso após 30 dias. Dá a impressão de não respeitar um órgão tradicionalmente honrado.

Apesar desse infeliz acontecimento, o povo brasileiro ficou ainda mais estarrecido ao ouvir o presidente Jair Bolsonaro comemorar nas redes sociais, dizendo que vencera “mais uma” ou seja a “vacina chinesa do Doria”. E isso num momento trágico com hospitais e cemitérios lotados. A troco de que? Até onde vai o egoísmo do homem?

Bolsonaro ainda encontrou tempo para minimizar a grave situação ao dizer que “o Brasil tem que deixar de ser um País de maricas”. O que significa essa expressão? Seria pelo fato de obedecermos aos médicos para usarmos máscara, gel, distanciamento, isolamento?

No dicionário consta que “marica” é homem afeminado. Isso significa que o presidente agiu preconceituosamente contra os gays.

E tem mais. Todos os presidentes do mundo parabenizaram Joe Biden. Até hoje Bolsonaro não se manifestou.

Oswaldo Vicentin é contador, jornalista e escritor

Colaboração

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