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Saúde mental no vermelho

Por Maria Giovana Fortunato

19 set 2021 às 08:40

Este mês é mundialmente conhecido como Setembro Amarelo, cujo significado é a prevenção ao suicídio, consequência última da depressão e do transtorno bipolar, duas das principais causas, segundo especialistas. No entanto, dados divulgados no dia 10, escolhido como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), acendem o sinal vermelho em relação ao tema. Nossos jovens estão cada vez mais com saúde mental agravada.

A pesquisa revela 15.702 notificações de atendimento relacionados à tentativa de suicídio nos serviços de saúde do País entre 2011 e 2014. A maioria dos casos envolveu o grupo etário de 15 a 19 anos (76,4%), o sexo feminino (71,6%) e pessoas brancas (58,3%). Quase 90% das ocorrências foram registradas na própria residência e o meio mais utilizado foi o uso de medicamentos e outras substâncias para envenenar ou intoxicar.

Em outro período, de 2007 e 2016, foram 12.060 registros de tentativas. Os dados mostram a predominância dos casos envolvendo pessoas do sexo feminino (58,1%). A Região Sudeste foi a que reuniu o maior número de internações por 100 mil habitantes. Os principais motivos são rompimentos com namorados, bullying, pressão escolar e interação em redes sociais virtuais.

São verdadeiros números de um front de guerra, no qual muitas vezes as vítimas lutam em total solidão e com desdém de familiares. Sem falar que são números pregressos à pandemia da Covid-19, que nos submeteu a uma longa quarentena. Precisamos melhorar (e muito) as políticas públicas existentes no SUS (Sistema Único de Saúde) relacionadas à saúde mental. É preciso uma corrente envolvendo família, amigos, escola e o governo. Setembro vai passar e o sinal vermelho nos dá o alerta da gravidade do problema.

Maria Giovana Fortunato
Sanitarista e presidente do PDT de Americana

Colaboração

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