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Pelas Páginas da Literatura

Resenha: ‘O Instituto’, por Stephen King

Nesta sexta-feira 13, blog Pelas Páginas da Literatura indica um livro contemporâneo do mestre do terror

Por Marina Zanaki

13 Maio 2022, às 11h36 • Última atualização 13 Maio 2022, às 11h51

Stephen King é o mestre do terror. Livros como “O Iluminado”, “It – A Coisa” e “O Cemitério” renderam esse título ao escritor americano. Nos últimos anos, ele tem produzido obras menos aterrorizantes no sentido literal, mas o horror segue presente nas ações humanas. Particularmente, adoro essa nova abordagem do terror que ele tem adotado. Nesta sexta-feira 13, recomendo aqui um livro contemporâneo que tem essa pegada: “O Instituto”.

Lançado no Brasil em 2019, ele tem como personagem principal Luke Ellis, um garoto super dotado. O menino também tem um leve poder de telecinese (mover objetos com a mente), mas acredita que esse é seu traço menos importante.

Porém, é esse poder que coloca Luke na mira do Instituto. Ele é sequestrado e levado para essa instituição, que faz experimentos com crianças e adolescentes com poderes psíquicos. Nesse lugar, os internos sofrem todo o tipo de abuso físico e psicológico.

É justamente no tratamento desumano que eles recebem que está o horror deste livro. As pessoas que comandam o Instituto são completamente desprezíveis e cruéis. O leitor é levado a odiá-los e torcer para que paguem pelo que estão fazendo.

Apesar da pouca profundidade (esses personagens são puramente maus, sem nenhum traço de zona cinzenta), conseguem convencer. Por outro lado, o grupo de amigos que Luke faz no Instituto são personagens muito bem elaborados. Mais uma vez, o escritor cria crianças e adolescentes memoráveis.

SPOILERS
Mesmo com mais de 500 páginas, o livro tem um ritmo muito bom. O trecho em que Luke foge do Instituto e é procurado foi alucinante. Quis virar a noite para descobrir o que aconteceria, e sem dúvida foi a parte do livro que mais gostei.

Mas o final me decepcionou. Isso porque a história alimenta um desejo que os responsáveis paguem pelas atrocidades cometidas no Instituto. No final, a rede se desmantela, mas não há uma sensação de justiça. O chefe de tudo aquilo inclusive fica impune.

Não consegui entender porque, mesmo com provas, o Instituto não é denunciado. Torci por isso o livro inteiro, e o final não me ofereceu essa catarse. Talvez King tenha deixado a porta aberta para uma continuação? Talvez, mas preferia que tivesse fechado de uma forma mais contundente essa história.

FIM DOS SPOILERS
Apesar de algumas ressalvas, principalmente com relação ao final, “O Instituto” é um livro que recomendo demais. É uma leitura intensa e que assusta com aquilo que há de pior no mundo: a crueldade humana.

Não à toa, o livro foi comparado na época de seu lançamento à “prisão” de crianças filhas de imigrante no governo de Donald Trump. King esclareceu que não houve uma relação direta entre o fato e o livro. Mas sem dúvida, era sobre esse tipo de maldade que ele estava escrevendo.

Marina Zanaki

Repórter do LIBERAL, a jornalista Marina Zanaki é aficionada pela literatura e discutirá, neste blog, temas relacionados ao universo literário.