07 de agosto de 2022 Atualizado 10:48

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Publicidade

Compartilhe

Pelas Páginas da Literatura

Resenha: ‘A Improvável Jornada de Harold Fry’, de Rachel Joyce

Blog Pelas Páginas da Literatura indica livro que aborda a empatia

Por Marina Zanaki

06 de agosto de 2022, às 10h22 • Última atualização em 06 de agosto de 2022, às 10h28

Acredito que a literatura ensina de forma generosa a empatia, e que todo livro é uma oportunidade de se colocar no lugar do outro. Mas, de vez em quando, encontro algum título que vai além e encara a empatia quase como uma missão. “A Improvável Jornada de Harold Fry”, de Rachel Joyce, aposta na humanização para contar sua história.

O livro começa quando Harold Fry recebe a carta de uma amiga do passado, Queenie, que está com câncer terminal. Mexido com a mensagem, Harold parte em uma caminhada até onde Queenie está internada. O problema é que ela mora do outro lado do país e Harold é um idoso que não tem preparo físico para encarar centenas de quilômetros.

Ao longo de sua jornada, ele vai se deparar com muitas pessoas, bem ao estilo “road-book”. O livro é composto por episódios que aos poucos vão ensinando o tímido e antissocial Harold que todas as pessoas carregam em si coisas muito parecidas. Todos sentem medo, carregam culpas e sofrimentos, baseiam a vida em esperanças e sonhos. Ele transforma seu olhar sobre o mundo, e se torna uma pessoa muito mais presente em sua própria vida.

Mas a empatia no livro vai muito além dessas pessoas com quem Harold cruza. Apesar da autora construir um grande mistério em torno de Queenie, é a relação com a esposa Maureen que protagoniza a obra.

A princípio, detestei Harold pela forma como ele se relacionava com Maureen e nem quis acompanhar sua jornada por conta disso. Mas conforme ele caminha e vai relembrando sua vida, descobri muito pontos em comum com Harold. Ao final, estava imersa nesse personagem, em um exercício profundo de empatia.

O livro não é perfeito, tem algumas inconsistências e perde o ritmo na segunda metade. Mas os quatro últimos capítulos são muito bem costurados e me fizeram chorar ao longo das páginas. Eles frustram as expectativas do leitor de uma forma brutal, mas são perfeitos. A última cena é linda e emocionante como poucas que já li. Dessas que fazem a gente querer abraçar quem está perto e aproveitar cada segundo da nossa jornada.

Marina Zanaki

Repórter do LIBERAL, a jornalista Marina Zanaki é aficionada pela literatura e discutirá, neste blog, temas relacionados ao universo literário.