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País do faz de conta

Por Amauri de Souza

19 de maio de 2022, às 07h00

Depois do engodo gastronômico oferecido pela rede McDonald’s, com seu hambúrguer de picanha sem picanha, e da Burger King, com o seu sanduíche Whopper Costela, também sem a iguaria bovina, a realidade brasileira parece ter um compromisso institucional com a mentira, com a deturpação da verdade, as falsificações e as fake news.

Que a malandragem sempre foi espécie de moeda corrente no Brasil não é novidade, pois ela já foi rotulada e explorada (à exaustão) em canções, poesias, teatros, filmes, novelas e outras tantas representações artístico-culturais. O bom malandro que o diga! Esperteza como senha para o meu pirão primeiro.

Mas, nas propagandas enganosas dos famigerados hambúrgueres, há como pano de fundo a mediocridade de um país que se deixa enganar em todos os quesitos. Aqui, pagamos somas vultosas de impostos, porém não temos o retorno dos tributos na medida ideal para sanar nossas mazelas. Há sempre um buraco a mais na rua, há sempre ruas a mais que precisam pavimento, há déficit de educação, habitação, saneamento básico, segurança. Há desemprego e inflação.

Enquanto isso, no ano em que a democracia precisa de um elegante traje de gala para o “banquete” do sufrágio que a tem por significado, duas forças políticas antagônicas se articulam numa escalada de retórica, ficando a população entregue aos inescrupulosos movimentos orquestrados, de ambos os lados, para disseminar inverdades.

O povo (eleitor) deve ficar alerta com a avalanche de mentiras e falsas promessas que virão na esteira das campanhas eleitorais, nos próximos meses. Saborear um sanduíche com outro ingrediente principal, que não o especificado na propaganda, pode passar despercebido e ainda assim, apetitoso. Já, eleger um cidadão para comandar um país por quatro anos pode significar a mudança necessária no cardápio social ou uma completa indigestão civilizatória.

Amauri de Souza é jornalista e escritor.

Colaboração

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