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O preço alto da rica casinha

Por Humberto Pinho da Silva

22 abr 2021 às 07:31

Nos tempos da minha juventude, o trabalhador – em geral a família vivia do seu salário – era mal pago, mesmo assim, muitos possuíam um pé de meia. A pessoa conseguia pagar o sustento da família, e depositava o restante, receando o desemprego, e na vaga esperança de um dia adquirir uma casinha.

Preferia guardar no banco, que oferecesse juros mais elevados com a vantagem de aceitarem pequenas quantias.

O desejo de quase todos, principalmente os que pertenciam à classe média, era virem a possuir a casa própria. Cantinho que pudessem dizer que era seu.

Pergunto agora: valerá a pena comprar a casinha? No final do século XX, li num jornal do interior, a história de dois irmãos. Um trabalhador e outro que fazia biscates e vivia à custa do salário da mulher.

O trabalhador comprou um imóvel e ficou a pagar financiamento no banco. O outro construiu barraco no subúrbio.

O trabalhador sempre poupava e não poderia gastar com nada. O outro irmão viajava para as praias no verão e no inverno ira para Serra da Estrela ou Serra Nevada.

Um dia, as autoridades demoliram o barraco, e deram-lhe para aquela pessoa um apartamento bastante confortável.

Entretanto o trabalhador, sofria para pagar sua rica casinha, fazendo grandes sacrifícios, guardando tudo que podia para cumprir com as suas obrigações.

A pergunta que eu faço é se realmente valerá a pena comprar uma casinha? Ter que pagar impostos, prestações, obras, condomínio, seguros etc…etc…

Vendo assim as coisas, direi que não. A vida sempre foi e será dos espertos, e não de quem trabalha. Quem governa parece gostar, por vezes, mais daqueles que nada fazem, do que do trabalhador honrado e honesto. Quem saberá a razão?

Humberto Pinho da Silva, de Portugal

Colaboração

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