13 de agosto de 2022 Atualizado 22:03

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Publicidade

Compartilhe

Alessandra Olivato

O melhor da viagem

Diferentes cidades e estados bem como as diversas regiões do mundo podem proporcionar sensações únicas

Por Alessandra Olivato

08 de junho de 2022, às 11h25 • Última atualização em 08 de junho de 2022, às 11h30

Embora se pense que todo mundo pode fazer tudo o que quiser, não é bem assim. Podem existir muitos impeditivos para fazer o que se sonha, como viajar por exemplo. Embora desejem, muitos trabalham a vida inteira só pra conseguir sobreviver ou tem responsabilidades que os impedem de se ausentar. Viajar também não é uma escolha de todos os que têm a oportunidade. Há pessoas que vivem satisfeitas no seu canto, sem necessidade de respirar outros ares. Lembro-me de um tio muito querido que dizia se sentir muito satisfeito conhecendo os lugares do mundo por aquele programa de TV que mostra os locais de cima.

Já eu nasci com essa ânsia de estar em outros ambientes, sentir outros cheiros e ver com meus próprios olhos os seres humanos em variados contextos a fim de alimentar minhas filosofias sobre o que há de estranho e o que há em comum entre todos nós. Ascendente em sagitário, já viu. Sou muito grata em poder ter realizado esse desejo algumas vezes.

Diferentes cidades e estados bem como as diversas regiões do mundo podem proporcionar sensações únicas e é inevitável renovar a nossa visão das coisas. Com a grande oportunidade de ter ido ao velho mundo pela segunda vez, vou resumir minhas tão particulares conclusões sobre lá e cá, aquele “lá é melhor isso” ou “gosto mais disso daqui”.

O que gostaria que tivesse de lá aqui, sem sombra de dúvida: o clima (especificamente o frio), a maior valorização da natureza (Londres na primavera foi um dos lugares mais verdes e encantadores que já vi), o dia mais comprido, com o sol se pondo depois das oito da noite. E, óbvio, algumas comidas. Além da enorme variedade de queijos – que poderiam ser meu único alimento o resto da vida, os pães, iogurtes e os peixes (a oferta me permitiu não comer nenhuma carne vermelha durante toda a viagem). Por último, algo do qual já senti muita falta da primeira vez e lamento não termos aqui: a qualidade da água, quase tornando o condicionador algo desnecessário, sem contar que se pode tomar água da torneira tranquilamente.

Por outro lado, o que eu não trocaria do Brasil de jeito nenhum: a enorme variedade e quantidade de verduras, legumes e frutas; a presença dos amigos e da família e a sensação de “terra natal”, o jeito mais alegre e amistoso de ser, a música popular brasileira, o espaço – apesar de menos povoado no geral, muitos lugares no velho mundo parecem apertados. Muitos banheiros, por exemplo, seja nas casas ou nos comércios, não tem janelas, apenas um pequeno exaustor. Pra quem é meio claustrofóbico é desconfortável, além de parecer menos higiênico. Também a sensação de “novo”. Por mais linda e encantadora que seja a arquitetura medieval e, não obstante intercalada com o que há de mais moderno em estrutura urbana, é como se um certo “mofo” colorisse todas as coisas. E, finalmente, a luz. Acredito que nem todo mundo repara nisso mas por mais ensolarado que seja o dia, a luminosidade é diferente. É como se houvesse um leve filtro da luz do sol. Eu não troco a claridade dos nossos dias ensolarados por nada, e olha que gosto de tempo nublado e de chuva!

Reforcei o sentimento de que por mais vantagens inegáveis existentes nos países do velho mundo, sobra uma autoconfiança e um marketing que nos faz falta. Limpeza das ruas? Vi muita sujeira no chão em alguns lugares. Uma vida financeira sempre mais vantajosa? Embora no geral sim, ouvi brasileiro reclamando do sistema econômico e nativos relatando baixos salários e dificuldade em pagar as contas. Lugares mais bonitos? São diferentes, não tem como comparar. Sem sombra de dúvida há mais cuidado e capricho no geral, nisso ficamos atrás, o que é uma pena pois poderia ser muito melhor.

Pra chover no molhado, viajar é muito bom. Sobretudo quando você também consegue fazer da viagem um tour pra dentro de si mesmo, conhecendo-se melhor na relação com os demais e aprende um pouco mais sobre o que pode dar de bom para o mundo e o que pode melhorar. Sem dúvida, um das sensações mais prazerosas que alguém pode se proporcionar, inclusive porque permite uma das melhores experiências da vida: ter uma casa para voltar. Viajar é maravilhoso, mas voltar para casa é sensacional. E, apesar de tudo, eu amo ainda mais o meu Brasil.

Alessandra Olivato

Mestre em Sociologia, Alessandra Olivato aborda filosofias do cotidiano a partir de temas como política, gênero, espiritualidade, eventos da cidade e do País.