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Histórias do Coração

O amor e os começos

Até que o amor comece, ele não existe. Mas como saber quando começa?

Por Carla Moro

05 dez 2021 às 07:45

Para além das histórias dos casais, o amor como tema maior tem me interessado muito desde que esta coluna começou. Há algumas semanas, por ocasião do aniversário de um ano, falei um pouco sobre a espera. A Espera, com letra maiúscula, que é quase uma companhia para aqueles que acreditam no amor.

Também o encontro foi o ponto de partida para outras tantas histórias. Os encontros, nas suas mais variadas formas, sempre escancararam o acaso de todos eles: um convite inesperado, o mesmo caminho para o trabalho, um aplicativo de relacionamento. O que todos eles têm nos mostrado até hoje é que não é possível planejar o amor. Que bom seria se pudéssemos estabelecer uma data. Faríamos um círculo ao redor do dia do calendário: no dia 22 de janeiro, estarei pronta para o amor. Pode chegar! Mas esse futuro escapa pelos dedos, não é como financiar uma casa ou escolher a data de uma viagem. Até que o amor comece, ele não existe. Mas como saber quando começa?

Mais uma vez, adoraria trazer respostas para essa pergunta. No começo da coluna, quando entrevistava os casais, costumava perguntar a eles: “em que momento você percebeu que ele, ou ela, era o amor da sua vida?”. Definir esse momento primeiro serviria também de pista. Será que eu, ou vocês que me leem, já havíamos vivido esse momento e, por descuido, não tínhamos percebido? Juntava as respostas dos entrevistados como junto moedas em um pote: esperando ter uma quantidade suficiente para gastá-las com o que queria. Nesse caso, seria dizer a mim mesma e a vocês: “olha, o amor começa assim; juntei todas essas evidências, depois de muitas entrevistas, e o amor começa neste momento”, seguido de dois pontos e, por fim, uma explicação.

Contudo, depois de ouvir tantos casais, tenho sim um pote cheio de respostas, mas elas não me deram pista nenhuma. Cada pessoa me dizia uma coisa diferente: “foi depois de uma cirurgia, ele me fez companhia” ou “foi depois de irmos ao cinema” ou “era domingo e tínhamos saído pra tomar sorvete”. Teve também quem me dissesse que não se lembrava desse momento, não havia nenhum indício de memória que pudesse me dar uma pista.

O medo de esperar pelo amor e ele nunca chegar talvez só se equipare ao medo de que ele chegue, mas, por inaptidão (seja ela de qualquer natureza), a gente não consiga percebê-lo. Achei que investigar os começos do amor nos ajudaria quando ele chegasse. Todas as vezes que o amor começou, você soube ver? Ver e não compreender ainda é ver? Talvez, por não compreendermos o amor, ainda permanecemos cegos à sua chegada.
Uma amiga diz que o amor começou quando ela encostou a cabeça no ombro do moço que seria seu futuro marido. Ele estava dirigindo e parou no semáforo. Aquele gesto simples foi o começo. Eu acredito nela, como acredito em todos os casais que já passaram por aqui. Guardo mais essa evidência, para poder dizer a vocês (e a mim também), “o amor começa neste momento”, seguido por dois pontos e, por fim, uma explicação.

Quer contar sua história? Me mande uma mensagem no e-mail:
colunahistoriasdocoracao@gmail.com

Carla Moro

Formada em Letras pela Unesp, Carla Moro faz neste blog um registro da trajetória dos casais! Quer sugerir sua história para a coluna? Envie um e-mail para colunahistoriasdocoracao@gmail.com