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Histórias do Coração

Marcela e Bruno

A história do casal não é uma história de amor à primeira vista: ela mostra que o amor sempre traça sua própria direção

Por Carla Moro

10 jan 2021 às 08:39

O Autódromo de Interlagos, em São Paulo, foi inaugurado em 1940, mas foi em uma manhã chuvosa de 2017 que o nosso casal, junto com um grupo de amigos, estava na arquibancada vendo uma corrida. O Bruno estava, porque a Marcela mesmo nem queria ter ido. Foi por insistência de uma amiga que ela acabou sentada ali para acompanhar a largada, e apenas a largada foi o combinado.

Marcela e Bruno – Foto: Divulgação

É preciso fazer um aviso: esta história não é uma história de amor à primeira vista. A Marcela não tinha interesse nenhum nas quinze curvas do Autódromo e tampouco no Bruno, que também achou a moça chata desde o momento em que se encontraram. A pista de Interlagos é conhecida por ser uma pista de sentido anti-horário, o que significa que ela exige mais daqueles que se aventuram por suas curvas. Ela exige de seus pilotos mais força, mais concentração, mais empenho. A história da Marcela e do Bruno começou no sentido anti-horário. Não fosse o empenho e a força daquele grupo de amigos, talvez essa história não estivesse sendo contada agora. O grupo de amigos foi como a equipe que fica nos boxes e que têm apenas alguns segundos para trocar os pneus e fazer os ajustes necessários. Esse casal teve uma boa equipe desde o início.

No Autódromo de Interlagos, há uma curva que se chama Curva do Sol. Ela tem esse nome porque o sol atrapalhava a visão dos pilotos, até que a pista ganhasse o sentido anti-horário, resolvendo esse pequeno problema. O sentido anti-horário do nosso casal também foi solução. O Bruno me diz que o casamento é o caminho que ele quer seguir, como um piloto encarando as quinze curvas em sentido anti-horário do Autódromo de Interlagos. Mas a Marcela não é um prêmio esperando no final da corrida, a Marcela é o próprio caminho, a direção que o Bruno quer seguir.

Qualquer esporte radical, como a corrida, causa no corpo daqueles que o praticam uma descarga de adrenalina: as pupilas dilatam, o coração acelera e a respiração fica ofegante. Não por coincidência, o nosso corpo tem a mesma resposta quando estamos apaixonados. O Bruno inventou um salto de paraglider para levar a Marcela até o local do pedido de casamento, que foi feito, na verdade, em um voo de balão surpresa, há quase 2.000 metros de altura. Embora o amor e os esportes radicais causem os mesmos efeitos físicos, para o amor não há paraquedas que garanta um pouso em segurança. Nem um cinto, se falarmos sobre um carro de corrida.

O primeiro beijo aconteceu quando o Bruno foi ajeitar o cinto de segurança da Marcela. Ele me conta que só queria ajeitar o cinto, mas que a Marcela achou que ele ia beijá-la. Já a Marcela, conta que nunca achou nada, foi o Bruno que se aproveitou do cinto de segurança para poder se aproximar.

Na dúvida sobre quem deu o primeiro beijo, eu mesma digo que o importante foi encontrar o sentido juntos, mesmo que anti-horário, porque o amor sempre traça sua própria direção e, muitas vezes, o tempo é o melhor piloto. Um piloto cego que conhece a pista como a palma de sua própria mão. Confiar no amor é confiar nesse piloto cego. É confiar, sobretudo, nesse salto que é dado no vazio, sem paraquedas.

Quer contar sua história? Me mande uma mensagem no e-mail:
colunahistoriasdocoracao@gmail.com

Carla Moro

Formada em Letras pela Unesp, Carla Moro faz neste blog um registro da trajetória dos casais! Quer sugerir sua história para a coluna? Envie um e-mail para colunahistoriasdocoracao@gmail.com