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Juros mais altos afetam progresso

Por Rafael Cervone

06 de outubro de 2023, às 07h54

Parte dos ônus que fere a indústria está sendo equacionada com a Reforma Tributária aprovada na Câmara dos Deputados, que reduz a assimetria da taxação, prejudicial ao setor, e o programa de neoindustrialização, que já soma R$ 106 bilhões.

Além da necessidade da Reforma Administrativa, mais segurança jurídica e pública e melhor infraestrutura, é urgente solucionar o gargalo dos juros, cujos danos são demonstrados pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Se tivéssemos a mesma taxa real dos emergentes África do Sul, Chile, Indonésia e México, o custo de financiamento do capital de giro da indústria brasileira, de R$ 71,5 bilhões em 2022, cairia para R$ 37,6 bilhões. Os R$ 33,9 bilhões de diferença correspondem a quase 98% dos gastos internos de pesquisa e desenvolvimento. Ou seja, poderíamos quase duplicar o aporte de recursos nessas rubricas se não fôssemos agredidos por um custo de dinheiro que flerta com agiotagem.

Para as pessoas físicas, os juros referentes ao crédito somaram R$ 46,7 bilhões, mas se tivéssemos a mesma taxa média dos países citados, seriam de R$ 15,6 bilhões, ou R$ 31,1 bilhões a menos. A demanda de consumo resultante da diferença geraria 123,5 mil postos de trabalho de maneira imediata.

Os juros pagos a mais pela indústria e as famílias foi de R$ 65 bilhões em 2022, o equivalente ao orçamento do governo gaúcho no ano, que é o sexto do País. Esse é o resultado da Selic média nominal de 12,63% e spread de 3,1% para indústrias de grande porte, 10% para as pequenas e médias e 39,6% para pessoas físicas. É preciso mudar esse cenário o mais rápido possível. Não podemos continuar preterindo desenvolvimento e beneficiando o aluguel de dinheiro. Q

Rafael Cervone
Empresário e presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e primeiro vice-presidente da Fiesp

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