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Pelas Páginas da Literatura

Irmãs Brontë ganham novas edições pela Penguin Companhia

Livro que sofreu apagamento, “A Inquilina de Wildfell Hall” é relançado com o mesmo destaque conferido a “Jane Eyre” e “O Morro dos Ventos Uivantes”

Por Marina Zanaki

21 jul 2021 às 08:43 • Última atualização 21 jul 2021 às 11:26

Anne, Emily e Charlotte Brontë. Quadro do seu irmão Branwell – Foto: Wikimedia Commons

As obras-primas das irmãs Brontë ganharam em julho novas edições pela Penguin Companhia. Clássicos da literatura inglesa, “Jane Eyre” (Charlotte Brontë), “O morro dos ventos uivantes” (Emily Brontë) e “A inquilina de Wildfell Hall” (Anne Brontë) chegam às livrarias com novas traduções e textos de apoio.

Destaco que o livro de Anne Brontë está sendo lançada com o mesmo status das obras das outras irmãs. Ao contrário de “Jane Eyre” e “O morro dos ventos uivantes”, que têm seu lugar reconhecido na história da literatura, “A inquilina de Wildfell Hall” sofreu um apagamento.

No livro, a viúva Helen Graham se muda para um vilarejo inglês com seu filho pequeno. A chegada dessa mulher vai despertar curiosidade nos moradores locais, gerando fofocas em torno de seu passado misterioso.

Quando foi lançada, a obra sofreu pesadas críticas. Após a morte de Anne, Charlotte censurou algumas partes, chegando mesmo a impedir novas impressões. O livro foi definido por Charlotte como um equívoco da irmã mais nova.

Na verdade, trata-se de uma obra em pé de igualdade com os outros livros das irmãs Brontë. O problema é que Anne trouxe, corajosamente, temas muito pesados para a época. Basicamente, “A inquilina de Wildfell Hall” fala sobre violência doméstica muito antes do tema ser discutido – apesar de já existir dentro dos lares ingleses, como a autora bem retrata.

Mas Anne vai além de mostrar o comportamento tóxico de homens a quem não falta dinheiro e poder. Ela toca na ferida da educação que é dada aos meninos, transformando-os em adultos mimados e inconsequentes.

Por outro lado, indica que o aprendizado das meninas sofria com limitações, resultando em mulheres com poucas perspectivas e cuja decisão mais importante na vida é o casamento. Uma união equivocada significa, na Inglaterra do século XIX, uma condenação a uma vida infeliz.

A edição da Penguin traz o texto integral de Anne, sem os cortes que foram realizados por Charlotte. Ainda não tive acesso às edições, mas a editora sempre se destaca por trazer bons textos complementares, que fornecem uma contextualização importante às obras.

As capas, por outro lado, já têm sido alvo de críticas de diversos leitores nas redes sociais da Penguin. Pessoalmente, acho que independente do lado estético, essas novas edições têm potencial pelo tratamento que a editora costuma dar aos textos.

Dei maior destaque para “A inquilina de Wildfell Hall”, mas fica a forte recomendação dos três livros. As irmãs Brontë eram geniais, e com certeza abriram as portas da literatura para muitas escritoras que vieram depois.

Marina Zanaki

Repórter do LIBERAL, a jornalista Marina Zanaki é aficionada pela literatura e discutirá, neste blog, temas relacionados ao universo literário.