22 de outubro de 2020 Atualizado 08:33

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Compartilhe

Histórias de Americana

Conheça a história de Ignácio Corrêa Pacheco

Grupo Historiadores Independentes de Carioba reconta a história de um dos ilustres fundadores e patronos da cidade de Americana

Por Elizabete Carla Guede

09 ago 2020 às 09:39 • Última atualização 09 ago 2020 às 09:43

Um dos nomes dos ilustres fundadores e patronos da cidade de Americana é Ignácio Corrêa Pacheco, nome de uma das principais ruas do centro da cidade, na qual se faz a singela homenagem a esta figura histórica. Mas quem foi este homem e quais feitos ele promoveu no antigo Bairro da Estação, como era chamada a localidade antes de ser conhecida como Villa Americana, para que seu nome perpetuasse até os dias atuais?

Descendente de famílias importantes da nobreza portuguesa, seus antepassados imigraram para o Brasil entre o final do século XVI e início do século XVII e desbravaram os sertões brasileiros. Chamados bandeirantes, famílias como Borba Gato e Pacheco da Silva, foram responsáveis pela abertura de caminhos pelo interior do país. Um exemplo de um dos seus feitos em nossa região é a atual Rodovia Anhaguera, uma das principais estradas que cortam o município. Dito isto, é importante ressaltar a dizimação de boa parte da população indígena e a utilização da mão-de-obra escrava por estas expedições.

A linhagem dessa família no Brasil se iniciou com a chegada do fidalgo português Manoel Pacheco, nascido na Ilha de São Miguel e casado com Dona Beatriz Gatto, da família Borba Gato, também de origem portuguesa. O casal se estabeleceu primeiramente nas Vilas de São Paulo – Cotia e Parnaíba –, para depois irem para Itu, ainda nos primórdios de sua fundação. Após alguns anos, sua linhagem se dividiu entre vários pontos do país, desbravando e fixando residência em outros estados, tornando-se importantes senhores de engenho, com grande poder aquisitivo responsável por formar parte da economia de cana-de-açúcar e café do país.

Ignácio Correa Pacheco nasceu em Piracicaba, em 6 de abril de 1858, filho de Antônio Corrêa Pacheco e Anna Cândido Barros, lecionava literatura no Colégio Piracicabano. Falava e escrevia em vários idiomas, tendo provavelmente concluído seus estudos na Europa, onde viveu por vários anos.

Ainda muito jovem, fixou residência no Bairro da Estação, comprando parte significativa das terras pertencentes à Fazenda Machadinho, de seu amigo Basílio Bueno Rangel. Em sua propriedade, formou um loteamento, dando início ao primeiro núcleo urbano do futuro município. Seu exemplo foi seguido por Rangel, herdeiro da Fazenda Machadinho. Este feito levou-os posteriormente a serem considerados os fundadores da cidade de Americana.

Na ocasião da criação do Distrito Policial de Villa Americana, que remonta ao ano de 1893, Ignácio foi declarado o primeiro subdelegado, e em 3 de janeiro de 1894, foi nomeado para o posto de Capitão da Companhia do 19º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional da Comarca de Piracicaba no Estado de São Paulo, em carta assinada pelo Presidente Prudente de Moraes.

 Dentre os objetivos alcançados para o progresso da vila, está a iniciativa de colocar uma placa junto à Estação Ferroviária, identificando e dando nome a localidade como Villa Americana e evitando, assim, que as correspondências que chegavam através da linha férrea fossem extraviadas, pois, neste período, a região era pertencente à Santa Bárbara d’Oeste. Natural de família tradicional católica, fez doação de parte das suas terras para a construção da Matriz Velha de Santo Antônio, levantada por mão-de-obra italiana e onde foi celebrada uma primeira missa em 28 de julho de 1900.

Pacheco também participou das diversas brigas políticas que culminaram na criação do Distrito de Paz de Santo Antônio de Villa Americana em 30 de julho de 1904, e continuou sua luta pela emancipação política que ocorreu em 12 de novembro de 1924.  Faleceu em sua residência, na Rua Carioba, em 19 de agosto de 1929, vítima de “congestão cerebral”, aos 73 anos de idade, solteiro e sem herdeiros ou bens a serem inventariados.  Foi sepultado no Cemitério da Saudade e em seu túmulo, localizado ao lado da igreja, há uma placa em seu trubuto com os dizeres “Homenagem de Americana ao seu fundador e bem feitor”.

Seu nome foi perpetuado não só por uma das principais ruas do centro da cidade, mas também foi reconhecido como Patrono do Tiro de Guerra 02-045, através da Lei Municipal nº 109/2000, assinada pelo Prefeito Waldemar Tebaldi. Reconhecimento este que vai além de sua linhagem de militares, mas remete a sua dedicação para a prosperidade do município de Americana, que completa seus 145 anos neste mês.

* Elizabete Carla Guedes é integrante do Historiadores Independentes de Carioba

Historiadores de Carioba

Blog abastecido pelo grupo Historiadores Independentes de Carioba, que se dedica à pesquisa histórica sobre Americana.