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Histórias do Coração

Raíssa e Gustavo

A história deste domingo começou em 1994, quando a Raíssa e o Gustavo foram matriculados no primeiro ano na mesma escola

Por Carla Moro

28 de novembro de 2021, às 11h03

Para aqueles que escrevem, começar é sempre a parte mais difícil. Terminar uma história também pode ser complicado, mas ainda sim não se compara ao começo. Não me lembro se já falei por aqui sobre uma frase atribuída ao Oscar Wilde (perdoem-me a repetição em caso positivo), mas ela tem me ajudado em muitos começos difíceis. Ela diz assim: “Escreva a frase mais verdadeira que você conhece”.

Para os dias em que fica difícil escrever e, sobretudo, em que fica difícil escrever sobre o amor, começar pela frase mais verdadeira que eu conheço (sobre aquilo que quero falar, claro) é sempre um recurso valioso.

Então, a história do coração deste domingo começa assim: em 1994, a Raíssa e o Gustavo foram matriculados no primeiro ano, na mesma escola. Essa é a primeira frase mais verdadeira que posso escrever sobre este casal.

Aos sete anos, idade da Raíssa e do Gustavo no primeiro ano, meninos e meninas dificilmente são amigos. Existe uma barreira invisível que divide as crianças, dois universos diferentes que, salvo raras exceções, não se encontram. A Raíssa e o Gustavo não foram essa exceção. Nunca trocaram sequer uma palavra, não se sentavam lado a lado na classe, tampouco fizeram dupla para algum trabalho.

Daqueles dias, a Raíssa se lembra apenas dos olhos do Gustavo. Olhos que sorriam silenciosos, ela diz. Suponho que não há muitas justificativas racionais para aquilo que nossa memória guarda, mas o fato é que 27 anos depois, quando o Gustavo adicionou a Raíssa em uma rede social, foram os mesmos olhos silenciosos que fizeram com que ela reconhecesse o menino dos primeiros anos de escola.

Em muito se assemelham o ato de escrever ao ato de amar. Percebam, os inícios são igualmente difíceis. Não sabemos o que dizer (ou escrever), não temos ideia do que vem depois e, muitas vezes, terminar um texto é tão complicado quanto terminar um relacionamento. Escritores e amantes carregam consigo a ansiedade de não saber o que vem depois. O amor corre independente do que planejamos, bem como as palavras em uma folha de papel.

A Raíssa foi a primeira paixão do Gustavo. Aos sete anos, ele só tinha olhos para a menina, com quem nunca sequer trocou uma palavra. Nunca brincaram juntos no recreio, tampouco formaram par na quadrilha da festa junina. Seria bom ter uma foto daquela época, ele me diz. Mas ela não existe. Embora tenham crescido e se desencontrado, ele nunca deixou de pensar na menina dos primeiros anos de escola.

Eu não sei como esta história termina. Ela corre livre pelos dias, bem como as palavras nesta coluna. A Raíssa e o Gustavo acabaram de se reencontrar. Ainda não posso dizer que se casaram, também ainda não sabemos o quanto uma paixão infantil pode ser real quando nos tornamos adultos. O fato é que o amor está lá. Reencontraram-se e reconheceram-se. O Gustavo ainda olha para a Raíssa com os mesmos olhos que sorriem silenciosos. E essa é a segunda frase mais verdadeira que posso escrever sobre este casal. Sobre o que vem depois, eu ainda não tenho ideia. Nem eles.

Carla Moro

Formada em Letras pela Unesp, Carla Moro faz neste blog um registro da trajetória dos casais! Quer sugerir sua história para a coluna? Envie um e-mail para colunahistoriasdocoracao@gmail.com