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Histórias do Coração

Marlene e Amilcar

A história desse casal pode ser uma história de renúncias, mas é também de escolha; leia na coluna desta semana!

Por Carla Moro

12 abr 2021 às 07:43 • Última atualização 12 abr 2021 às 07:44

O casal da história que vou contar agora se conheceu em 2004, na Paróquia de São João Bosco. A Igreja católica serviu de cenário para esse primeiro encontro, mas ela é também quase uma personagem coadjuvante. O Amilcar era seminarista em Curitiba, mas estava em Americana na casa do irmão para repensar a vocação. Depois de quase seis anos no seminário, ele tinha muitos questionamentos e, percebendo as dúvidas que rondavam aquele jovem, o reitor pediu que o Amilcar ficasse um tempo fora, o tempo que precisasse até ter certeza de que deveria voltar. Se eu conto essa história hoje é porque, já se pode imaginar, ele nunca voltou.

Marlene e Amilcar – Foto: Arquivo pessoal

A Marlene sempre foi um membro muito ativo da comunidade da Paróquia de São João Bosco. Ela participava da Pastoral da Acolhida e recebeu o Amilcar quando ele também quis participar das atividades da paróquia. Por três anos, desde aquele primeiro encontro, eles foram amigos. Tão amigos que onde um estava o outro estava também. A família e os amigos em comum já não conseguiam imaginar um sem o outro, mas eles sustentavam para si a amizade. Aliás, se a Igreja católica foi o cenário, a amizade foi o enredo. Não fossem amigos primeiro e, dificilmente, teriam sido mais que isso no futuro.

Da vocação diz-se que é um chamado, um apelo àquele que opta pela vida religiosa. O sacerdócio também é uma forma de amor. Amor à Deus, à Igreja, à uma vida devota. A vocação e o amor não permitem dúvidas e, como se sabe, qualquer escolha implica uma renúncia.

Dos três anos em que foram apenas amigos, a Marlene e o Amilcar me contam de dois momentos diferentes. No primeiro, era fim de semana e a Marlene não ligou para o amigo. Para duas pessoas que passavam todo o tempo livre juntas, um fim de semana sem ligar é um acontecimento significativo. Desesperado, o Amilcar pensou: ela encontrou um namorado! O medo de perdê-la, acredito, foi um sinal.

Do segundo momento, o derradeiro, quem me fala é a Marlene. Ela foi buscar no ombro do amigo um consolo. Ela passava por uma série de problemas e foi até a casa do Amilcar para conversar. Foi então que, mais que um amigo, ela encontrou um coração disposto a confortá-la. O Amilcar beijou a Marlene nesse dia. Três anos se passaram entre o momento na Paróquia de São João Bosco e este, na casa do Amilcar. Três meses se passaram entre o primeiro beijo e o casamento no civil, e outros três entre o casamento no civil e o religioso, que foi celebrado pelo reitor do começo da nossa história.

O seminário pode ter sido a primeira renúncia, mas a segunda, foi a amizade. A Marlene e o Amilcar precisaram despedir-se daquele amor entre amigos para deixar que o casamento formasse o novo enredo dessa história. A partir daquele momento, eles seriam uma família.

Essa história pode ser uma história de renúncias, mas é também de escolha. Embora tenha deixado a vida do seminário, o Amilcar sabia que amor era a escolha, uma vez que para o sacerdócio ou para o casamento, o amor é o único caminho possível. Quando a Marlene e o Amilcar se conheceram, eles ainda não sabiam, mas era o caminho do amor que começavam a trilhar juntos.

Carla Moro

Formada em Letras pela Unesp, Carla Moro faz neste blog um registro da trajetória dos casais! Quer sugerir sua história para a coluna? Envie um e-mail para colunahistoriasdocoracao@gmail.com