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Histórias do Coração

Karina e Alexandre

A 30ª história do coração mostra que nem todas as histórias terminam em casamento: algumas apenas terminam

Por Carla Moro

20 jun 2021 às 07:50

Em algum dia entre outubro e novembro de 2014, cerca de 400 mil pessoas passaram pelo terminal da Barra Funda, em São Paulo. Americana, a cidade da Karina, tinha aproximadamente 226 mil habitantes em 2014. Quase duas cidades do interior se apertavam no terminal.

Naquele dia de 2014, 9,8 mil homens passaram por hora na Barra Funda. Nenhum deles era o Alexandre, que se atrasou para o encontro marcado. Encontrar pela primeira vez um homem entre quase 10 mil pode ser uma tarefa ingrata, e a Karina nunca soube esperar. Todas as histórias de amor merecem ser contadas, mas nem todas elas terminam em casamento: algumas apenas terminam. Neste domingo, a 30ª história do coração é uma delas.

A história da Karina e do Alexandre, embora não tenha uma data exata de início, possui uma data de término. No dia 12 de junho de 2020, a Karina viu uma fotografia do Alexandre com o seu novo amor. Naquele momento, ela entendeu aquilo que já estava claro há alguns meses: eles não formavam mais um par. Saber ver o amor é importante, mas perceber o seu término é ainda mais.

Depois de 2 horas esperando o moço que não chegava, o celular desligado, a Karina resolveu voltar pra casa. Quando o Alexandre ligou avisando dos imprevistos, a Karina decidiu arriscar e ir ao encontro dele, mais uma vez. Ele carregava uma mochila, um skate e uma muda de samambaia. “Achei na rua”, disse sorrindo. Os dentes eram pequenos e os olhos, de criança, embora ele já tivesse passado dos 30.

Por cinco anos, o Alexandre chegou nos horários mais improváveis, muito cedo, de madrugada, um dia que faltou luz, às vezes aos fins de semana, depois numa segunda, fazendo a Karina se atrasar para o trabalho. Houve, ainda, muitos outros momentos em que ele não chegou ou, tampouco, ficou. Essa história foi construída com hiatos, vontades incompatíveis, outras tantas muito compatíveis, expectativas frustradas.

Muitos erros são cometidos em nome do medo de ficar sozinha, como se a solidão fosse um bicho mantido em cativeiro e a gente torcesse para não ser morta pelo animal que nós mesmas mantemos preso e alimentamos. Era preciso estar sempre alerta.

No apartamento antigo do Alexandre na Avenida São João, a Karina tentava adivinhar os caminhos. Amanhecia ao lado do moço desejando um futuro que nunca se concretizou. O amor tem um tempo para acontecer? Como um prazo de validade que indica a hora de ir embora? Uma história de amor não pode ser construída por uma pessoa só. Aí não é história, é apenas uma eterna espera. E a Karina nunca soube esperar.

Essa história é a história da Karina e do Alexandre, mas poderia ser a de qualquer outro casal que tenha vivido uma história de amor que acabou. Nem todas as histórias do coração terminam em casamento. Algumas apenas terminam. E terminam para que outras comecem, novamente, todos os dias. Em Americana, em São Paulo, em uma estação de metrô ou naquela festa para a qual você foi convidado e não queria ir. Mas, então, no último minuto…

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colunahistoriasdocoracao@gmail.com

Carla Moro

Formada em Letras pela Unesp, Carla Moro faz neste blog um registro da trajetória dos casais! Quer sugerir sua história para a coluna? Envie um e-mail para colunahistoriasdocoracao@gmail.com