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Hastear a bandeira da democracia

Por Victor Chinaglia

09 mar 2021 às 08:27

Ano 1997, em seu mês de maio, vim morar em Americana para trabalhar como assessor parlamentar. Quando recebi os cartões de visita da Câmara de Americana algo que me incomodava era o brasão da cidade, que continha a bandeira dos confederados.

Estávamos saindo das Olimpíadas de Atlanta, as populações locais foram às ruas protestar para que a Geórgia mudasse sua bandeira por se referir a dos confederados. O COI (Comitê Olímpico Internacional) analisou que a bandeira era alusiva ao ódio, e ainda hoje é usada pomposamente por racistas de todas as denominações. Seu hasteamento foi proibido.

Ao perguntar ao saudoso Hercule Giordano, ele me informou que havia uma comissão que concluiu os estudos de um novo brasão e que não foi aceito pelo prefeito do momento. Perguntei quem eram as pessoas que faziam parte desta comissão e ele citou uma geração muito respeitada. Um prato cheio.

Pedi uma audiência com o prefeito Waldemar Tebaldi. Quando expliquei a motivação de nossa reunião, no meio de meus argumentos o doutor Tebaldi se levantou e retirou a bandeira que estava atrás de sua cadeira. Ele já queria jogá-la fora. Expliquei a situação e ele mandou reeditar o decreto para aprovar a decisão da comissão, revogando os dispositivos anteriores.

Após intensos debates, discernidas as dúvidas e pela legalidade dos trabalhos, com a presença da grande maioria de velhos trabalhadores que compunham a ”comissão para a realização de estudos visando a adequação dos símbolos do município e a instituição do Hino Municipal”, reorganizada pelo meu amigo Hercule Giordano, os vereadores foram sensibilizados em plenário. A mudança foi aprovada.

Isso tudo nos poupou de uma exposição negativa que com certeza nos traria prejuízos econômicos, sociais e principalmente morais.

Victor Chinaglia é arquiteto-urbanista

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