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Artigos de leitores

Gente é pra viver, não morrer de fome

Por João Colosalle

21 fev 2021 às 09:36

Em julho de 2012, o LIBERAL noticiava em uma matéria secundária do caderno de Cidades a ocupação de uma área de 900 mil metros quadrados, em Sumaré, por cerca de 200 famílias. Na foto que ilustrava a capa e a página da reportagem, o que se via eram barracos e barracas mirrados, a maioria construída de lona e pedaços finos de madeira.

Na época, as ocupações de terrenos em Americana, Sumaré e Hortolândia eram frequentes. Acompanhadas a elas vinham as notícias de reintegração de posse, que, muitas vezes, ocorriam com confrontos entre moradores e policiais.

A notícia que o LIBERAL trouxera naquele julho de 2012, assinada por este jornalista, se transformaria em uma das batalhas mais icônicas por moradia que o Estado já assistiu. Dali, daqueles barracos mirrados, surgiu a Vila Soma, que, oito anos depois, caminha para ser regularizada.

A luta foi extensa, teve a repulsa do governo municipal, que tentou minar a permanência dos moradores, e uma longa disputa legal promovida pelos donos da área. Mas uma mobilização política comprou a briga dos moradores, enfrentou protestos e repressões violentas e conseguiu abrir uma discussão técnica sobre a ocupação.

A regularização da Vila Soma tem tudo para se tornar um exemplo de como a luta por moradia pode ser tratada sem se render exclusivamente a ações ideológicas ou à especulação imobiliária.

Quem já esteve na Vila Soma sabe que ali, como em qualquer bairro, há gente. E gente é pra brilhar, como canta Caetano. Não pra morrer de fome, de frio, pelo gosto ou desgosto de uma outra gente, de poder. Gente precisa ter moradia, ter água, energia e condição pra viver. Do jeito certo, como tem sido em Sumaré. Que a Vila Soma tenha e faça bom proveito dessa oportunidade.

João Colosalle é editor-executivo do LIBERAL

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